A UniCredit está próxima de assumir o controle do Commerzbank, em uma das maiores fusões já vistas na Europa. O banco italiano passou a deter cerca de 42% das ações do banco alemão, após ter lançado uma oferta pública de aquisição neste ano. A operação, anunciada com o argumento de fortalecer o sistema bancário alemão, avaliaria o Commerzbank em torno de US$ 50 bilhões.
A iniciativa, iniciada em 2024 com a subida inicial da participação da UniCredit, envolve a compra de ações restantes por meio de uma troca de títulos e ações. O governo da Alemanha, que detém aproximadamente 12% do Commerzbank, tem se oposto ao negócio, avaliando o prêmio apresentado como insuficiente.
A oferta foi apresentada de forma integralmente em ações, com base numa avaliação que implicaria prêmio de cerca de 4% sobre o fechamento de 13 de março de 2026. Berlim, no entanto, não possui poderes para impedir a transação, mas pode manter sua participação e tentar bloquear movimentos do operador italiano.
Desempenho e resistência regulatória
O CEO Andrea Orcel, da UniCredit, conduz a estratégia desde 2022, buscando transformar o grupo em uma liderança europeia. A prática de utilizar derivativos para aumentar a participação gerou críticas entre autoridades alemãs, que questionam a transparência da operação.
Executivos do Commerzbank relatam que a adesão à oferta pode estar inflada por ações de instituições com vínculos ao UniCredit, o que teria levado a solicitar investigação regulatória. A UniCredit rebate as acusações, afirmando que todas as ações ofertadas são legítimas.
Perspectivas e próximos passos
Especialistas apontam que, mesmo com o controle, a integração enfrentaria desafios regulatórios e operacionais. Regras da UE podem exigir que o grupo combine ativos, sem contabilizar integralmente o capital regulatório do Commerzbank, o que reduziria o colchão financeiro do novo conglomerado.
A conclusão definitiva da operação não deve ocorrer antes de julho, com o fechamento previsto para 2027, caso seja aprovada pelos órgãos competentes. O cenário permanece sujeito a avalições de autoridades e negociações em curso entre as partes.
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