O maior risco para a safra 2026/27 não é o clima. Três vetores moldam o agronegócio global: geopolítica, fertilizantes e logística internacional, apontando para uma transformação em curso na dependência de tensões estratégicas. O mundo agrícola fica cada vez mais exposto a cenários geopolíticos que influenciam preços e ofertas.
Conflitos entre Estados Unidos, Israel e Irã mantêm sob atenção o Estreito de Ormuz, rota-chave para petróleo, gás e fertilizantes. Mesmo com sinais de negociação, a percepção de risco já gera volatilidade em mercados de insumos e frete, elevando custos para plantas e produtores.
Em resposta, governos atuam para mitigar efeitos. A União Europeia suspendeu tarifas sobre ureia e amônia para conter custos aos agricultores, sinalizando medidas preventivas para a safra de 2026/27. Enquanto isso, a China prorrogou restrições às exportações de ureia até agosto.
Oferta global e preços
A Rússia mantém controles sobre seus fertilizantes, contribuindo para oferta global mais restrita e maior concentração de fornecedores. Consequência direta é a pressão sobre preços internacionais e maior volatilidade no mercado de insumos.
No Brasil, a dependência externa de fertilizantes é elevada: aproximadamente 85% do que é consumido é importado. A combinação de oferta mais restrita com fretes e seguros mais caros impacta custos de produção e planejamento da safra.
Implicações para o Brasil
Dispositivos de política e compras internas passam a ganhar importância. O ciclo de compras para a safra 2026/27 tende a ser fortemente influenciado por incertezas no Oriente Médio, com possibilidade de frete elevado e variação cambial.
Ao mesmo tempo, o Brasil se afirma como fornecedor global de alimentos, apoiado pela demanda firme de mercados asiáticos. A posição estratégica facilita exportações de soja, milho, açúcar, café e proteínas, mesmo diante de custos de insumos mais elevados.
Perspectivas e caminhos
Especialistas veem potencial de valorização de commodities agropecuárias diante de choques de oferta. O tema fertilizantes volta ao centro da agenda nacional, com foco em acelerar o Plano Nacional de Fertilizantes, incentivar produção doméstica, diversificar fornecedores e ampliar investimentos em inovação.
Em resumo, a geopolítica passou a ser tão relevante quanto o clima para o agronegócio. O Brasil precisa equilibrar o aumento de custos com a oportunidade de manter a liderança na oferta global de alimentos, em um cenário de maior vulnerabilidade logística e restrições de insumos. A segurança estratégica na produção de alimento torna-se prioridade para sustentar a competitividade do setor.
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