Frédéric Rouzaud, presidente da Louis Roederer, celebra 250 anos da casa familiar com perspectiva de continuidade e inovação. A entrevista ocorreu nos escritórios provisórios em Paris, diante da reforma do siège, destacando a importância do aniversário para a identidade da empresa.
Fundada em 1776, a Roederer é uma das últimas grandes maisons de Champagne ainda independentes. Com atuação global, soma 1.000 hectares de vinhas e gera cerca de 400 milhões de euros em receita, empregando mil pessoas. A produção principal acontece em Reims, com presença significativa em outras regiões e países.
A gestão atual reforça valores de continuidade familiar, qualidade e tempo dedicado ao desenvolvimento de suas cuvées, sobretudo do Cristal. O presidente enfatiza que o tempo — para plantar, envelhecer e aperfeiçoar — é o “luxe” da casa, frente a desafios econômicos e climáticos.
Perspectivas para o futuro
Rouzaud afirma que a empresa não pretende apenas olhar para trás. A ambição é manter o foco em terroirs singulares e em uma gestão que pode considerar regulações futuras, inclusive com eventuais regentes externos, mantendo o controle familiar sobre a estratégia.
A diversificação geográfica, iniciada pelo pai na década de 1970, é apresentada como fonte de aprendizado e dinamismo. Vinhos de várias regiões, incluindo Bordeaux, Provence, Rhône, Portugal e Califórnia, ajudam a manter a marca global sem perder a identidade de vinhos de domínio.
Sobre o champagne no longo prazo, o presidente acredita na continuidade da bebida como símbolo de celebração, gastronomia e guarda. Ainda assim, admite que mudanças climáticas podem exigir ajustes na produção e no portfólio nos próximos anos.
A Roederer encara o futuro com realismo: há fortaleza patrimonial e independência em um setor competitivo, com condições para explorar mercados externos e sustentar uma produção de alto nível sem abrir mão de sua herança familiar.
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