A Copasa, companhia de saneamento de Minas Gerais, tende a ampliar seus investimentos com a parceria da Equatorial, conforme afirmou Marília Carvalho de Melo, presidente da estatal, à Folha. A executiva sustentou que a experiência do grupo paulista em energia e serviços públicos pode acelerar a universalização de água e esgoto no estado.
A Equatorial tornou-se acionista de referência da Sabesp e, recentemente, passou a mirar a Copasa com uma proposta para comprar 30% da companhia mineira. A mudança ocorre após a desestatização da Copasa, concluída na última terça-feira, com a liquidação das ações na B3.
Proposta e condições
A privatização depende da aprovação do Cade, informou Melo. A Copasa afirma que a Equatorial poderá assumir sua participação somente após esse aval, abrindo caminho para eventuais mudanças na diretoria.
Antes da desestatização, o governo de Minas detinha 50,3% das ações; a participação caiu para pouco mais de 5% com a venda. O estado manterá uma golden share, assegurando veto em decisões específicas como nomeação de sede ou mudança de nome.
A Equatorial firmou um acordo de trava de venda por quatro anos e deverá manter participação mínima de 50% até 2033, ou até cumprir metas de universalização de água e esgoto. O investimento da oferta foi de cerca de R$ 5,5 bilhões, com preço por ação de aproximadamente R$ 49,03.
Melo destacou que a Copasa tem avançado em investimentos, registrando R$ 2,9 bilhões no ano anterior e previsão de R$ 3 bilhões para este ano. A executiva também mencionou que, durante o roadshow, foram realizadas 359 reuniões com 229 instituições financeiras, nacionais e internacionais.
O governo mineiro ressaltou que a operação não envolve apenas aporte financeiro, mas também fortalecimento da capacidade de gestão. A proposta da Equatorial surge em um momento em que a meta do Novo Marco do Saneamento prevê alta cobertura de água tratada e esgoto até 2033.
A Copasa, criada em 1963, já operava com capital aberto desde 2003. O desinvestimento envolve ajustes na governança, mantendo participação governamental para acompanhar políticas públicas, sem prejudicar a busca por investimentos e melhoria dos serviços.
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