A abertura do Estreito de Hormuz não deve, por si só, reduzir rapidamente os custos elevados de fertilizantes, alimentos e combustível. No sul da Costa do Marfim, um agricultor encara os efeitos da crise global alimentada pelo conflito no Oriente Médio.
Michel Bla, 52 anos, vive em Divo e depende do cultivo de cacau para sustentar a família. Seu objetivo era perfurar um poço para água potável e instalar painéis solares para reduzir o calor nas noites tropicais. A instabilidade afeta também o consumo de energia na propriedade.
No último ano, o preço do cacau caiu, prejudicando a renda local. Em 2024, o conflito entre EUA e Israel elevou os custos de fertilizantes, pesticidas e alimentos. A cadeia de suprimentos fica mais cara, impactando pequenos produtores.
Essa combinação de queda de receita e alta de custos agravou a situação em pequenas propriedades. Bla relata que não consegue comprar fertilizante e que as árvores de cacau já apresentam sinais de estresse. A família ainda depende de água do rio para consumo.
A situação em Divo reflete uma tendência observada em várias regiões produtoras. Agricultores relatam dificuldade em manter a produção diante de preços voláteis e custos logísticos elevados. Entre os impactos estão atraso na colheita e menor produtividade.
Para Bla, a crise trouxe mudanças de curto prazo. O sustento depende de medidas de apoio político e financeiro para o setor. Enquanto isso, a família mantém hábitos de economia doméstica e aguarda sinais de estabilização no mercado global de cacau.
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