Os recursos do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) foram usados como subterfúgio para alavancagem artificial de instituições em crise, segundo a Polícia Federal. Em relatório encaminhado à Justiça Federal, a PF sustenta que o FGC atuou como fiador em ilícitos financeiros, transferindo risco para o fundo.
A investigação, chamada Operação Miragem, cumpriu buscas nesta terça-feira no Banco Digimais. A PF afirma que o cenário do banco serviu de modelo para o que ocorreu com o Master, aliado a fraudes que envolveram o uso das garantias do FGC.
O Banco Digimais, ligado ao bispo Edir Macedo, foi alvo de apuração que aponta uso de fundos de investimentos para ocultar perdas. A reportagem procurou a direção do banco, mas ainda não houve resposta oficial.
Contexto e implicações
Descrito pela PF como pilar para a higidez do sistema financeiro, o FGC garante restituição de até 250 mil reais por CPF em intervenções ou liquidações. A investigação afirma que golpes contaram com esse mecanismo para evitar perdas diretas.
Segundo os federais, o modelo de captação do Master, com CDBs ofertados acima de padrões de mercado, serviu de paradigma para outras instituições. O objetivo seria contornar crises de liquidez, disseminando prática irregular.
A PF sustenta que diretores do Master criaram um esquema de captação massiva e uso de instrumentos financeiros com retornos elevados. Essa conduta tería sido espelho para operações em instituições de porte médio hoje sob investigação no Digimais.
O Estadão já havia mostrado, em maio, que o Digimais, cuja gestão estava em crise, realizava manobras para limpar o balanço de perdas com a venda de carteiras de financiamentos inadimplentes. A apuração também apontou venda de precatórios não pagos à holding do grupo.
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