Os Certificados de Depósito Bancário do Digimais seguem sendo negociados no mercado secundário, mesmo após a deflagração da Operação Miragem pela Polícia Federal. A investigação apura suposta fraude contábil na instituição associada ao bispo Edir Macedo.
Levantamento aponta que CDBs com rentabilidade de até 135% do CDI estavam disponíveis em plataformas de grandes instituições. OBT Corretoras exibiam papéis com retornos acima de 120% do CDI; alguns títulos até superavam esse patamar em 2028.
O BTG Pactual informou ter interrompido a oferta primária de CDBs do Digimais na terça-feira. A instituição destacou que o que permanece no mercado é negociação no secundário entre clientes. O Itaú não se manifestou até o fechamento da matéria.
A XP também aparecia com CDBs do Digimais em negociações secundárias na terça, mas, segundo fontes, a plataforma XP Bridge não tinha registros de negociação na quarta. A XP afirmou que encerrou a distribuição de CDBs do Digimais em novembro de 2025.
Profissionais de mercado comentam que, no ambiente atual, as negociações devem ocorrer entre investidores por iniciativa própria. Pessoas físicas costumam buscar a proteção do FGC, ao passo que pessoas jurídicas não têm a mesma cobertura.
O Digimais, ligado ao grupo de Edir Macedo, está sob investigação da PF para entender se houve manipulação de demonstrações financeiras para favorecer a aparência de fortaleza patrimonial. O banco registrou no quarto trimestre de 2025 um Basileia de 7,98%, abaixo do mínimo de 11%.
O banco informou ter feito aporte de 250 milhões de reais, elevando o índice para 13,49%, ainda acima do exigido pela regulação. A PF investiga possíveis operações que teriam sido usadas para melhorar artificialmente indicadores financeiros.
Especialistas avaliam que a venda de CDBs no secundário pode implicar perdas relevantes. Quem guarda valores acima do teto do FGC deve considerar a venda do excedente para reduzir riscos, ainda que haja deságio.
Para investidores dentro do teto de 250 mil reais por CPF e instituição, as oportunidades de manter o investimento seguem dependentes de desfechos como venda de ativos por outra instituição adquirente ou liquidação com cobertura do FGC.
Em síntese, a recomendação de especialistas é evitar novas compras de CDBs do Digimais no mercado secundário neste momento, dadas as incertezas e a baixa liquidez, mantendo cautela para quem já possui o papel.
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