O movimento recente dos títulos de dívida da Braskem (BRKM5) sinaliza alerta para o desempenho de suas ações. Os bonds negociam com desconto enquanto a empresa busca um plano de recuperação extrajudicial e encara impactos do desastre socioambiental em Maceió. As ações do papel estão próximas de R$ 7,6.
No início de 2025, títulos com vencimento em 2030 estavam em US$ 68,3, caindo para US$ 40,83 em junho de 2026. Os títulos de 2050 recuíram de US$ 84,6 para US$ 54,2 no mesmo período. O recuo indica maior percepção de risco de crédito por parte do mercado.
Segundo especialistas, a precificação de dívida baixa tende a pressionar o valor de mercado das ações, pois credores têm prioridade sobre acionistas. A Braskem acumula dívida bruta de US$ 9,4 bilhões, com 91% em moeda estrangeira, até o fim de março de 2026.
Perspectiva de reestruturação e credores
A Braskem teria proposto alongar em cinco anos o vencimento de dívidas emitidas no exterior, com redução de 2 pontos percentuais na taxa de juros. A ideia é alterar o equilíbrio entre credores e acionistas, o que gera resistência entre investidores.
A data de 5 de julho é mencionada como prazo para adesão dos credores ao plano de recuperação extrajudicial, com objetivo de obter apoio inicial de ao menos 33% por classe de dívida. Procurada, a Braskem não comentou.
A recuperação extrajudicial é vista como alternativa à recuperação judicial, por permitir definição de um perímetro de dívidas a reestruturar, sem intervenção judicial ampla. Analistas destacam que credores abutres podem exigir contrapartidas adicionais.
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