O Brasil iniciou o processo para emitir títulos soberanos em yuan, os chamados panda bonds, com entrega da carta de intenção pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, em Pequim, na quinta-feira, 25 de junho. A operação visa acessar o mercado chinês para captação de até 5 bilhões de yuans nos próximos dois a três meses.
Panda bonds são dívidas emitidas por governos ou empresas estrangeiras dentro da China, em moeda local. Diferem dos dim sum bonds, pois atingem a poupança doméstica chinesa, com demanda de bancos estatais, seguradoras e fundos de pensão.
A iniciativa busca reduzir custos, já que emissoes anteriores ficaram entre 1,7% e 2,05% ao ano, bem abaixo dos cerca de 5,2% pagos em dólar no ano passado. Além disso, a operação amplia a diversificação cambial da dívida pública brasileira.
Para Pequim, o movimento tem dimensão jurídica e geopolítica: o renminbi passa a funcionar como instrumento de crédito direto, com disputas sujeitas a leis chinesas. O instrumento pode evitar sanções que afetam o sistema bancário ocidental.
O Brasil planeja usar o yuan também para financiar projetos do Eco Invest Brasil, programa que já mobilizou mais de R$ 140 bilhões para iniciativas sustentáveis. Durigan discutiu com Pan Gongsheng uma versão verde dos títulos, com juros ainda menores.
Embora relevante para a sinalização de diversificação, o montante é modesto frente ao total da dívida externa. O principal valor da estreia está no precedente e na formação de preço para futuras emissões de empresas ou outros tomadores privados no mercado chinês.
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