O Igeprev-TO, o fundo de previdência dos servidores do Tocantins, herdou 60 imóveis transferidos pelo Master, antigo Banco Máxima, para cobrir perdas do fundo Viaja Brasil. O investimento malsucedido no veículo levou a um prejuízo registrado de 13 milhões de reais em 2014.
Em 2022, após ação do Ministério Público Estadual, o Master transferiu esses imóveis para o Igeprev, com imóveis em São Paulo, Goiás, Minas Gerais, Paraná e Rio de Janeiro. O objetivo era compensar o rombo do fundo Viaja Brasil, ligado à Marsans.
A Justiça homologou o acordo, mas a venda das propriedades tem sido lenta. Ao todo, foram vendidos 17 imóveis, gerando 2,8 milhões de reais, equivalente a 21% do prejuízo. O restante segue em processo de regularização e venda.
O conjunto de ativos passou a compor um fundo de investimento imobiliário. Entre os bens estão quartos de hotel em Belo Horizonte e Sete Lagoas, lotes em Curitiba, salas comerciais e imóveis no Rio de Janeiro, além de uma casa em Rio das Ostras avaliada em 137 mil reais.
Há também dois lotes em Araçariguama (SP), avaliados em cerca de 2 milhões de reais, e os terrenos de Curitiba, com valor estimado de 2,1 milhões. O governo do Tocantins afirmou que os 43 imóveis remanescentes seguem em regularização e venda, com potencial de recuperação patrimonial.
O Ministério Público do Tocantins informou que as avaliações dos imóveis foram feitas presencialmente, com apoio de promotorias de defesa do patrimônio público e perito indicado pelo Igeprev. O acordo só foi homologado após a transferência das escrituras.
Segundo o relatório financeiro mais recente, o valor dos imóveis envolve elevado grau de julgamento, com avaliações a valor justo feitas por terceiros. O auditor independente confirmou a propriedade, sem detalhar se revisou as estimativas de valor.
O histórico do caso remonta ao aporte feito em 2012-2013 no fundo Viaja Brasil, gerido pelo Banco Máxima. O investimento concentrou-se em ações da Graça Aranha, holding do grupo Marsans, que faliu em 2014, reduzindo drasticamente o valor das cotas.
O empresário Saul Sabbá, ex-dono do Banco Máxima, reconheceu dificuldades que contribuíram para o insucesso do investimento, ressaltando que o banco também sofreu perdas expressivas. O regulador CVM já havia condenado o Máxima pela gestão do fundo Viaja Brasil.
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