O dólar fechou praticamente estável frente ao real nesta quinta-feira (2). A moeda encerrou cotada a 5,2083 reais, queda de 0,04% na sessão, após ensaiar recuo pela manhã. Na semana, o ganho é de aproximadamente 0,8%.
O payroll de junho dos EUA mostrou criação de vagas abaixo do esperado, em 57 mil, enquanto a taxa de desemprego caiu para 4,2%. A leitura ajudou a amenizar as apostas de aperto agressivo de juros pelo Federal Reserve, mas o cenário externo segue com volatilidade.
Mercado brasileiro e fatores locais
Operadores destacam que o ambiente doméstico, marcado pela percepção de piora do quadro fiscal e pela indefinição da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro, reduz o fôlego do real. O fim do chamado trade do petróleo também pesa, diante das negociações EUA/Iran.
A resistência do dólar ao redor de 5,20 reais se intensificou após a mínima de 5,1593, com alta intraday para 5,2197. A recuperação foi freada, mantendo o câmbio próximo da estabilidade ao fim do pregão.
Pontos de análise e impactos
Especialistas afirmam que, apesar do payroll fraco, a disseminação de dúvidas sobre a reforma tributária e reportagens sobre financiamento de filmes envolvendo ex-presidentes alimentam o complexo interno de risco. Diante disso, o mercado observa o cenário fiscal e a política local.
A taxa de câmbio, segundo gestores, segue como canal de transmissão da fragilidade fiscal doméstica quando o real se mostra mais vulnerável. O índice DXY, que mede o dólar ante uma cesta de moedas fortes, recuou para mínimos acima de 100,5 pontos.
Expectativas e leitura de juros
As probabilidades de elevação da taxa dos EUA em setembro perderam fôlego, deixando-se abaixo de 50%. No entanto, as expectativas para dezembro permanecem acima de 70%, mantendo o foco na definição do banco central americano.
Especialistas apontam que a inflação norte-americana de junho, a ser publicada no dia 14, pode trazer de volta impactos psicológicos aos ativos. A leitura é chave para calibrar a trajetória de juros no curto prazo.
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