A HBR Realty lançou uma oferta para comprar 100% da Helbor numa operação que busca destravar valor para as ações. A transação é por troca de ações, com Helbor recebendo 0,815 ação da HBR para cada ação detida. A troca foi definida com base no valor médio de ambas as empresas nos últimos 90 pregões.
Hoje, as duas companhias são controladas pela família Borenstein, com 51% de participação cada uma. O free float é pulverizado entre pessoas físicas e fundos, sem investidor com participação superior a 5%.
A decisão de avançar com a fusão foi revelada em entrevista ao Brazil Journal, com o argumento de tornar a estrutura societária mais simples, reduzir custos e destravar valor na Bolsa. A estratégia também visa ampliar a liquidez das ações.
Contexto atual e motivação
Enquanto o Ibovespa avançou 24% nos últimos 12 meses, as ações da HBR recuaram 22%, avaliadas em cerca de R$ 271 milhões, e as da Helbor caem aproximadamente 5%, com valor de mercado por volta de R$ 317 milhões. As companhias operam com desconto frente ao valor patrimonial, em torno de 30%.
A liquidez também pesa na decisão: a HBR negocia em média cerca de R$ 1 milhão por dia e a Helbor aproximadamente R$ 2,5 milhões. Com a fusão, a liquidez passa a ser de R$ 3,5 milhões no curto prazo, com expectativa de chegar a R$ 5 milhões, aproximando-se de peer como Even e Log.
Estrutura e impactos financeiros
A união criaria uma empresa com faturamento conjunto de aproximadamente R$ 1,6 bilhão, lucro bruto de R$ 559 milhões e patrimônio líquido de R$ 3,2 bilhões. A operação combina o portfólio de incorporação residencial da Helbor com o fluxo de caixa de aluguéis da HBR, incluindo imóveis comerciais, centros de compras com a marca ComVen e hotéis como o W em São Paulo.
O acordo também permitiria o aproveitamento de parte do land bank da Helbor pela HBR, estimado em R$ 12 bilhões, com a maior concentração em São Paulo e em áreas de médio e alto padrão. A diretoria aponta ganhos de governança e agilidade decisória com a incorporação.
Governança e próximos passos
A fusão promete simplificar a governança, removendo a necessidade de decisões envolvendo dois conselhos e comitês. A expectativa é aumentar a eficiência operacional e facilitar decisões estratégicas.
A OPA depende da aprovação dos acionistas minoritários da Helbor. Uma assembleia geral extraordinária será convocada nas próximas semanas, sendo necessário o voto favorável de ao menos dois terços dos acionistas habilitados.
As partes contratantes estiveram acompanhadas por assessores: BTG Pactual e Bradesco BBI para a HBR; Trindade Advogados para a assessoria jurídica. A divulgação não cita outras partes envolvidas no fechamento.
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