O governo federal tem alavancado planos para reduzir a dependência brasileira de fertilizantes importados, citando a guerra no Oriente Médio como fator que expôs o país a variações de preço e gargalos logísticos. Entre as iniciativas estão o Plano Nacional de Fertilizantes (PNF), o Profert, o PNM 2050 e ações da Petrobras para ampliar a produção nacional.
Apesar da mobilização, o cenário de curto a médio prazo aponta para queda na produção interna de fertilizantes fosfatados, principal categoria ainda com maior participação no fornecimento. Analistas estimam menor ritmo de expansão ou até retração da oferta no Brasil nos próximos anos.
Situação de capacidade
A produção interna cobre apenas 3,1% da demanda de nitrogenados, 2,9% dos potássicos e 30,5% dos fosfatados. A Mosaic encerrou operações em Araxá (MG) e suspendeu unidades em Tapira (MG) e Catalão (GO), projetando redução de mais de 1 milhão de toneladas/ano na produção de fosfatados, com perdas contábeis estimadas em até US$ 400 milhões.
A empresa também sinalizou venda de ativos e ajustes operacionais. A OCP, major produtora global de fosfatados que atende o Brasil, já programou manutenções em suas unidades, e fontes do setor indicam queda de estoques da companhia em cerca de 40%.
Gargalos de insumos
Cada grupo do complexo NPK tem um entrave distinto: potássio depende de reservas geológicas, nitrogenados do custo do gás natural, e fosfatados, do enxofre. O preço do enxofre, já em patamares elevados, aproxima-se de US$ 1.200 por tonelada no Brasil, pressionando a produção de fosfatados.
Para o analista Bruno Fonseca, do Rabobank, esse encarecimento do insumo é o principal motor da contração prevista. O custo elevado pode tornar a produção menos viável e até estimular importações de fósforo, ao invés de reduzir a dependência externa.
Viés macroeconômico
Além das matérias-primas, o ambiente de juros influencia a viabilidade de novos investimentos. A construção de uma planta de fertilizantes demanda elevado capital, e juros altos podem atrasar ou inviabilizar projetos.
Fonseca aponta que, com eventual redução das taxas de juros e incentivos governamentais já em curso, pode haver retomada de investimentos e aumento da produção nacional, independentemente do governo. A expectativa é de que a queda de juros impulsione o crescimento da produção.
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