Las socimis espanholas superaram recorde histórico ao atingir valorização superior a 50 bilhões de euros em imóveis, conforme estudo de Armenext citado pelo portal CincoDías. Atualmente, 169 dessas sociedades estão listadas, com capitalização de cerca de 34 bilhões de euros e um portfólio de propriedades de 52,3 bilhões de euros.
O impulso vem mesmo com mudanças ao longo dos governos espanhóis. Iniciadas em 2009 durante o governo socialista de Zapatero, as regras fiscais foram aperfeiçoadas em 2013 pelo governo popular de Rajoy. Sob o governo atual, liderado pelo PSOE, houve ajustes, mas o modelo manteve-se estável e atrativo para investidores institucionais e privados.
O componente estrutural das socimis continua sendo o aluguel de imóveis, com vantagens fiscais em relação ao imposto de sociedades, além da obrigação de listar em bolsa europeia e distribuir pelo menos 80% dos lucros aos acionistas. Esse formato é similar ao REIT adotado em diversos países da OCDE.
Até o final de junho, o valor de mercado agregado das 169 socimis somou 33,95 bilhões de euros, com desvalorização menor que a esperada diante de um ano volátil. O aumento reflete tanto a valorização de ativos quanto a entrada de novas empresas, sobretudo em mercados como BME Growth, Portfolio e Euronext Access.
Entre os destaques, Merlin Properties lidera a carteira com imóveis avaliados em cerca de 12,36 bilhões de euros, impulsionada pela aposta em centros de dados e pela alta recente de suas ações. Colonial SFL mantém uma carteira predominantemente de escritórios em Paris, Madrid e Barcelona, com valorização de mais de 6% no ano.
O relatório aponta que a expansão recente também ocorreu pela entrada de 12 novas socimis no primeiro semestre, elevando o total para 169. A maior parte das novas listagens ocorreu em mercados como BME Growth, com destaque para operações de aquisição e reorganização corporativa entre os ativos.
Segundo a Armenext, a recuperação do mercado imobiliário espanhol, iniciada no fim de 2024, sustenta o dinamismo do setor neste início de 2026. O estudo enfatiza maior especialização das carteiras, com foco em segmentos como residencial em aluguel, logística, escritórios prime, hotéis e centros de dados.
A projeção para os próximos meses indica continuidade de maior concentração e profissionalização do setor, desde que não haja mudanças regulatórias relevantes e o ambiente macroeconômico se mantenha estável. O mercado espanhol tende a permanecer entre os destinos mais atrativos da Europa para investimento imobiliário via socimis.
Entre os desafios, o estudo cita a escassez de terrenos com aprovação, a produção limitada de habitação nova, a incerteza regulatória em alguns segmentos de aluguel e o aumento dos custos de construção. O panorama sugere que o papel das socimis como canal de investimento institucional deve ganhar consistência nos próximos anos.
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