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Volkswagen corta modelos e expõe crise diante do avanço chinês

Volkswagen, Ford e Nissan ajustam negócios em meio à perda de espaço e à consolidação das montadoras chinesas

O CEO da Volkswagen, Oliver Blume, afirmou que é necessário “eliminar a capacidade excedente” (Crédito: Reprodução/Volkswagen)

Nesta quinta-feira (9), a Volkswagen anunciou a redução de 50% do número de modelos de carros disponíveis no mercado atualmente. A empresa também informou que a meta de produção de novos veículos cairia para 9 milhões, uma redução de 25% em relação ao volume anterior à pandemia de covid-19. Segundo o CEO da Volkswagen, Oliver […]

Nesta quinta-feira (9), a Volkswagen anunciou a redução de 50% do número de modelos de carros disponíveis no mercado atualmente. A empresa também informou que a meta de produção de novos veículos cairia para 9 milhões, uma redução de 25% em relação ao volume anterior à pandemia de covid-19.

Segundo o CEO da Volkswagen, Oliver Blume, a geopolítica do último ano foi um fator essencial para a correção de rota na companhia. “Os próximos anos decidirão quem desempenhará um papel decisivo na indústria automotiva”, afirmou o executivo em vídeo.

Porém, o movimento pode indicar que o futuro dos carros a combustão já esteja decidido. A expansão dos elétricos está gradativamente dominando o setor, fragilizando o cenário conturbado que fabricantes de automóveis do mundo vivem hoje. Volkswagen, Mercedes-Benz e BMW registraram quedas de pelo menos 30% nas vendas na China entre abril e junho de 2026. No caso da Volkswagen, o recuo chegou a 36,6% na comparação anual, segundo a Reuters.

Internacionalmente, entre as 10 marcas mais vendidas do mundo, sete são chinesas, sendo BYD a líder de mercado de carros 100% elétricos e híbridos. A EV Volumes reuniu os dados da venda de 20,9 milhões de carros plug-in, ou seja, carros que combinam motores a combustão e elétricos. Enquanto isso, no Brasil, só nos primeiros seis meses do 2026, foram emplacados mais de 90 mil veículos elétricos, dos quais quase 65% são da BYD, seguida por outra chinesa, a Geely, com 18%. Os dados são da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave).

Eletrificação tardia

A dificuldade das montadoras tradicionais não está restrita à concorrência chinesa. Parte da indústria também precisou lidar com investimentos bilionários durante o período de entusiasmo com os veículos elétricos. Porém, essa onde de positividade e incentivo fiscal parece ter se retraído, principalmente, nos Estados Unidos.

Em dezembro de 2025, a Ford anunciou uma baixa contábil de US$ 19,5 bilhões e cancelou diferentes projetos de veículos movidos exclusivamente a bateria. Do total, US$ 8,5 bilhões estavam relacionados à retirada de modelos elétricos que ainda faziam parte dos planos da montadora. Entre as mudanças, a Ford desistiu de uma nova geração de picapes elétricas e de vans comerciais.

Na época, a Ford reconheceu que o mercado havia mudado e passou a direcionar os investimentos para projetos considerados mais rentáveis. Parte desse movimento da empresa passa pela eleição de Donald Trump, que, ao assumir o segundo mandato, encerrou programas de incentivo à eletrificação da gestão Joe Biden.

Porém, a Ford não está sozinha. Outras empresas, como a General Motors e a Stellantis, também reduziram parte dos planos para veículos exclusivamente elétricos. Nesse cenário, os híbridos voltaram a ganhar espaço nas estratégias das fabricantes tradicionais.

Menos fábricas

Blume ainda afirmou que será necessário “eliminar a capacidade excedente”, dando a entender que a empresa ainda pode fechar fábricas. Atualmente, a Volkswagen possui 111 unidades de produção em todos os continentes. No portfólio, estão marcas como Audi, Porsche, Skoda, Lamborghini e Bentley.

Outra empresa que precisou reduzir o número de montadoras foi a Nissan, que registrou prejuízo operacional de US$ 535 milhões entre abril e junho de 2025. A empresa justifica o movimento pelas tarifas impostas pelos Estados Unidos, os custos de reestruturação e a queda no volume de vendas.

Com isso, a empresa iniciou um amplo plano de recuperação que envolve o fechamento de sete fábricas ao redor do mundo e a redução de 15% da força de trabalho. A capacidade global de produção também deve cair de 3,5 milhões para 2,5 milhões de veículos, enquanto o número de unidades industriais será reduzido de 17 para 10.

Volkswagen, Ford e Nissan vivem situações diferentes e enfrentam problemas particulares. Os movimentos recentes, porém, apresentam um elemento em comum: três gigantes construídas sob a lógica da indústria automobilística do século XX passaram a cortar modelos, rever investimentos ou diminuir a própria capacidade produtiva.

A expansão dos veículos elétricos chineses pode ter deixado de ser apenas um fenômeno capaz de instigar o livre mercado e acelerar o avanço tecnológico. Passado o momento de euforia em torno da eletrificação, as montadoras tradicionais começaram a reavaliar os próprios negócios e tiveram que se adaptar a uma verdade indigesta: as chinesas já lideram o mercado automotivo.

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