A Nvidia negocia com um grupo de gigantes do setor financeiro, entre eles Apollo Global e Blackstone, a criação de uma estrutura de financiamento de US$ 500 bilhões para ampliar a infraestrutura de inteligência artificial, segundo uma fonte com conhecimento do assunto ouvida pela Reuters nesta segunda-feira (10). A movimentação não é a primeira aproximação […]
A Nvidia negocia com um grupo de gigantes do setor financeiro, entre eles Apollo Global e Blackstone, a criação de uma estrutura de financiamento de US$ 500 bilhões para ampliar a infraestrutura de inteligência artificial, segundo uma fonte com conhecimento do assunto ouvida pela Reuters nesta segunda-feira (10).
A movimentação não é a primeira aproximação da Nvidia com grandes gestores de recursos para financiar a expansão do setor. Em março de 2025, a fabricante de chips entrou para a AI Infrastructure Partnership, iniciativa criada por BlackRock, Global Infrastructure Partners, Microsoft e a gestora de investimentos MGX. O grupo foi estruturado inicialmente para mobilizar US$ 30 bilhões em capital próprio e chegar a até US$ 100 bilhões considerando financiamento por dívida.
A busca por capital para sustentar a IA
As grandes empresas de tecnologia sinalizaram que os gastos com IA não devem desacelerar, com as despesas combinadas previstas para ultrapassar US$ 730 bilhões neste ano.
O volume de investimentos também está levando empresas de tecnologia, historicamente capazes de financiar sua expansão com recursos próprios, a recorrer com maior frequência aos mercados de capitais. Segundo dados citados pela Reuters, Meta, Oracle e outras empresas do setor já haviam levantado cerca de US$ 250 bilhões nos mercados globais de dívida neste ano em meio à corrida pela construção de infraestrutura para IA.
Para a Nvidia, a expansão dos centros de dados está diretamente ligada ao principal negócio da companhia. No trimestre encerrado em 26 de abril, a empresa registrou receita recorde de US$ 81,6 bilhões, dos quais US$ 75,2 bilhões vieram da divisão de Data Centers. O segmento cresceu 92% em relação ao mesmo período do ano anterior e respondeu por mais de 90% do faturamento trimestral da companhia.
Energia vira gargalo na expansão dos data centers
A necessidade de capital não se limita à compra de processadores. A expansão dos centros de dados exige grandes volumes de eletricidade e investimentos em geração e redes de transmissão. Um estudo atualizado do Laboratório Nacional Lawrence Berkeley estima que os data centers poderão responder por cerca de 11,8% de toda a eletricidade consumida nos Estados Unidos em 2030. Dependendo do ritmo de expansão do setor, a participação pode variar entre 9,5% e 15,3%.
Pelo menos 75 projetos de centros de dados, avaliados em cerca de US$ 130 bilhões, enfrentaram oposição de comunidades locais nos Estados Unidos apenas no primeiro trimestre de 2026, segundo a Data Center Watch. Entre as preocupações estão consumo de energia e água, ruído e impactos sobre as contas de eletricidade.
A Nvidia informou em junho que levantaria US$ 25 bilhões por meio de uma emissão de títulos nos Estados Unidos, recorrendo ao mercado de dívida para aumentar sua liquidez pela primeira vez desde 2021.
A empresa pretendia inicialmente captar US$ 20 bilhões, mas aumentou a operação para US$ 25 bilhões depois que as ordens de investidores chegaram a cerca de US$ 85 bilhões.
Os títulos foram divididos em sete parcelas, com vencimentos que chegam a 2056. Segundo uma fonte ouvida pela Reuters, a operação também tinha como objetivo criar uma referência líquida para o custo de crédito da companhia.
Paralelamente, a Nvidia vem usando investimentos diretos para acelerar a disponibilidade de infraestrutura. Em janeiro, a companhia investiu US$ 2 bilhões na CoreWeave, especializada em computação para IA. A empresa pretende utilizar parte dos recursos para acelerar a obtenção de terrenos e energia e planeja alcançar mais de 5 gigawatts de capacidade de centros de dados de IA até 2030.
(Com informações da Reuters)
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