O Ibovespa passou dos 200 mil pontos nesta segunda-feira (5), marca inédita na história do índice. O dólar também caiu para menos de R$ 5, nível que não era registrado desde maio.
A reação do mercado veio após o primeiro turno da eleição presidencial, em que o senador Flávio Bolsonaro (PL) teve 47,03% dos votos, contra 45,16% do presidente Lula (PT). Para analistas, é pouco provável que o placar se inverta no segundo turno, em 25 de outubro.
Flávio e Lula vão ao 2º turno com menor distância desde redemocratização
Na avaliação geral dos investidores, uma vitória de Flávio aumentaria a chance de ajuste nas contas públicas, enquanto a política fiscal de Lula é vista com desconfiança.
Cortes de gastos tendem a conter a inflação e abrir espaço para a redução da Selic, hoje em 13,75% ao ano. Os juros futuros já indicam mais chance de corte no início de novembro, após o segundo turno.
Marco Saravalle, estrategista-chefe da Krivo Capital, lembrou que o PL também elegeu a maior bancada no Senado e na Câmara, mas fez uma ressalva: “Congresso de direita não significa automaticamente Congresso fiscalista“.
PL lidera vitória de governadores e terá maior bancada na Câmara e Senado
Às 11h21, o Ibovespa subia 7,55%, aos 206.610 pontos, com alta de quase todas as ações. A Petrobras avançava 5,45%, e o Bradesco, 12,95%. O Magazine Luiza, beneficiado pela expectativa de juros menores, saltava mais de 26%.
Nos juros futuros, a taxa do DI para janeiro de 2035 caía 126 pontos-base, para 12,875%, às 11h24. O DI para janeiro de 2028, mais ligado à política monetária, recuava 83 pontos-base, para 12,68%.
Na sexta-feira (2), o dólar à vista havia fechado a R$ 5,2173, em meio ao receio de que Lula tivesse ganhado força na disputa, o que acabou não se confirmando.
“Caso Flávio confirme a vitória, o dólar/real deverá seguir em tendência de baixa de longo prazo e, por isso, não é recomendável exagerar na compra”, escreveu José Faria Júnior, diretor da consultoria Wagner Investimentos, em relatório voltado a importadores.
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