O Fundo Monetário Internacional (FMI) pediu nesta sexta-feira (16) que os governos latino-americanos aproveitem as condições globais, que continuam favoráveis, para reduzir a dívida pública e elevar a produtividade. O órgão também alertou que o ajuste fiscal perdeu fôlego em muitos países.
O relatório “Perspectivas Econômicas Regionais” projeta crescimento da dívida pública de 2,3% em 2026 e de 2,5% em 2027 para a América Latina e o Caribe. Os números representam cortes de 0,1 e 0,2 ponto percentual, respectivamente, em relação às estimativas de julho.
Já para o Hemisfério Ocidental como um todo, incluindo Estados Unidos e Canadá, a previsão é de alta de 2,2% neste ano e de 2,3% em 2027. O resultado indica leve desaceleração frente aos 2,4% registrados em 2025.
Nigel Chalk, chefe do Departamento do Hemisfério Ocidental do FMI, afirmou que, para a região em conjunto, “a dívida pública continua aumentando”. Segundo ele, as condições de financiamento favoráveis “podem não durar”.
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Fatores externos sustentam a atividade
De acordo com o relatório, a forte demanda dos Estados Unidos, os preços elevados das commodities, as condições financeiras favoráveis e o bom desempenho do turismo e das remessas vêm sustentando a economia regional.
No entanto, o documento ressalta que esses fatores “não são capazes de resolver os desafios fundamentais da região, como a elevada dívida pública e o fraco crescimento da produtividade”.
A equipe técnica do Fundo estima que a melhora nos termos de troca e as condições financeiras mais flexíveis acrescentam cerca de 0,6 ponto percentual ao crescimento de 2026 de Brasil, Chile, Colômbia, México e Peru, na comparação com o ano passado. A incerteza sobre tarifas e o cenário geopolítico compensam parte dessa expansão.
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Ajuste fiscal estagnado
Segundo o FMI, os países latino-americanos adotaram medidas de consolidação fiscal em 2025, mas o ajuste foi menor que o previsto e estagnou “para muitos” neste ano.
O relatório aponta ainda que Brasil, Canadá e diversas economias do Caribe estão amortecendo o impacto da alta dos preços de energia, o que vai na contramão da consolidação fiscal.
Sobre a Argentina, que teve forte revisão para baixo nas previsões de crescimento, Chalk disse que os dados deste ano foram mais fracos do que o Fundo esperava. Ele prevê, porém, uma retomada no próximo ano.
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Distância das economias avançadas
O FMI projeta que poucos países da América Latina vão se aproximar do padrão de vida das economias avançadas nos próximos anos. Chalk classificou o risco de a região ficar ainda mais para trás como “um problema urgente”.
Em meio à alta dos preços de energia e alimentos provocada pelo conflito no Oriente Médio, a inflação deve voltar aos níveis previstos na maioria dos países até o fim de 2027, segundo o relatório. Para o Fundo, os riscos pendem para baixo no crescimento e para cima na inflação.
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Cenário global
No início desta semana, o FMI elevou para 3,1% sua projeção de crescimento mundial em 2026, alta de 0,1 ponto em relação a julho. Para 2027, a estimativa foi mantida em 3,4%.
Para as economias emergentes e em desenvolvimento, a estimativa foi reduzida em 0,1 ponto nos dois anos, para 3,7% e 4,4%. Os números seguem acima dos previstos para a América Latina e o Caribe.
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