Brasil prioriza comércio em moedas locais no Brics, sem focar em desdolarização
A secretária de assuntos internacionais do Ministério da Fazenda, Tatiana Rosito, declarou que a presidência brasileira do Brics não tem como objetivo a desdolarização da economia global. A afirmação foi feita nesta segunda-feira, 24, em resposta a questionamentos sobre o tema.
Segundo Rosito, as iniciativas do Brics visam aumentar o uso de moedas locais nas transações financeiras entre os países membros. A intenção é reduzir custos e não substituir o dólar de forma abrupta.
A declaração ocorre em meio a ameaças do ex-presidente americano Donald Trump de aplicar tarifas de 100% sobre países do Brics caso criem uma moeda própria. Rosito reiterou que a criação de uma moeda unificada não está em discussão no grupo.
O foco atual é incentivar o uso das moedas locais nas transações intrabloco. A secretária ressaltou que a China, por exemplo, busca ampliar o uso do seu renminbi no comércio, que atualmente representa 30% das transações, principalmente com outros países asiáticos.
A presidência brasileira do Brics tem como um dos objetivos facilitar o comércio e o investimento entre os membros. A meta é fortalecer a integração econômica por meio de inovações nos sistemas de pagamento e interoperabilidade dos mercados financeiros.
Rosito mencionou o Pix como um exemplo de soberania digital e quebra de duopólio. A discussão sobre o uso de moedas locais também abrange novas tecnologias, como moedas digitais e o compartilhamento de experiências, como o Drex, do Banco Central.
O Brics é composto pelos cinco países fundadores (Brasil, Rússia, China, Índia e África do Sul) e pelos novos integrantes Egito, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Irã, Etiópia e Indonésia. O bloco representa 25% das exportações globais, com a China respondendo por 14% ou 15% desse total.
Entre na conversa da comunidade