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Van Gogh: morte atribuída a suicídio, não a homicídio

Filme de Julian Schnabel sustenta suicídio de Van Gogh e questiona autenticidade do caderno de Arles, apesar de especialistas defenderem suicídio e dúvidas sobre as obras

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Julian Schnabel lança em Veneza um filme sobre Van Gogh que, segundo críticas, pode ser artístico mas não fiel aos fatos. At Eternity’s Gate sugere que o pintor foi atingido por um jovem de 16 anos e questiona a autenticidade de 65 esboços publicados em 2016, o que não é consensual entre especialistas.

A hipótese de homicídio, atribuída a René Secrétan, foi apresentada pela primeira vez na biografia de 2011 de Steven Naifeh e Gregory White Smith. O texto não esclarece se houve assassinato ou homicídio culposo, mas aponta que o tiro ocorreu em Auvers-sur-Oise em 27 de julho de 1890, levando Van Gogh à morte dois dias depois.

Especialistas do Van Gogh Museum, Louis van Tilborgh e Teio Meedendorp, refutaram a teoria em artigo de 2013. Analisam evidências sobre o relacionamento entre Vincent e Theo nas últimas semanas e o conteúdo da carta encontrada no corpo, concluindo pela suicididade.

Provas e interpretações

Para Emile Bernard, amigo fiel, a ideia de suicídio era clara. Bernard escreveu a Albert Aurier, dois dias após o funeral, que a morte foi deliberada e em plena lucidez. Além disso, Van Gogh já havia tentado suicídio no asilo de Saint-Paul-de-Mausole, meses antes, sustentam as fontes históricas.

A controvérsia se estende às chamadas Arles Sketchbook, um conjunto de 64 desenhos atribuídos a Van Gogh. A publicação em 2016 levantou dúvidas sobre a autoria, com o Museu Van Gogh afirmando que as obras não teriam sido feitas pelo artista e que teriam sido imitadas por alguém inspirado em reproduções.

Atualizações e contexto

O museu citou questões sobre tipo de tinta, descoloração, instrumentos usados e lacunas de proveniência para negar a autenticidade. Schnabel admite que o filme é ficção, mas a produção pode gerar novos mitos sobre a vida de Van Gogh. A expectativa é pela avaliação crítica na estreia ampla internacional.

Uma exposição relacionada abriu recentemente fora de Copenhague, no ARKEN Museum for Moderne Kunst, permanecendo em cartaz até 20 janeiro. A mostra não está vinculada diretamente ao filme, mas amplia o debate sobre o período de Van Gogh em Arles.

Para mais informações sobre At Eternity’s Gate, consulta-se o site do Venice Film Festival. O material em questão não representa, de forma oficial, a versão histórica verificada pela comunidade acadêmica.

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