O tradutor Jorio Dauster compartilha na edição deste mês da revista piauí sua experiência com a obra de J.D. Salinger (1919-2010), incluindo traduções de títulos icônicos como O apanhador no campo de centeio, publicado em 1951 nos Estados Unidos e catorze anos depois no Brasil. Dauster revisita a vida conturbada de Salinger, que tinha ascendência […]
O tradutor Jorio Dauster compartilha na edição deste mês da revista piauí sua experiência com a obra de J.D. Salinger (1919-2010), incluindo traduções de títulos icônicos como O apanhador no campo de centeio, publicado em 1951 nos Estados Unidos e catorze anos depois no Brasil. Dauster revisita a vida conturbada de Salinger, que tinha ascendência judaica e irlandesa, e seu serviço militar durante a Segunda Guerra Mundial, onde atuou como agente de contrainteligência.
Salinger desembarcou na Praia de Utah durante o Dia D em 1944, levando consigo rascunhos de seu famoso romance. Dauster destaca que as experiências traumáticas da guerra, incluindo a visão de pilhas de cadáveres em um campo de extermínio, influenciaram profundamente sua escrita. O autor, que continuou a trabalhar em seu livro mesmo sob bombardeios, expressou a dor de suas vivências através do personagem Holden Caulfield, refletindo os traumas da guerra.
Após a guerra, Salinger buscou diversas crenças espirituais, incluindo o zen-budismo e o hinduísmo advaita vedanta, e sua filha, Margaret A. Salinger, revela em sua autobiografia que ele explorou práticas como a glossolalia e até mesmo a ingestão de sua própria urina. Dauster observa que a guerra transformou Salinger, que se sentia incapaz de escrever diretamente sobre suas experiências, transpondo-as para a ficção.
O apanhador no campo de centeio enfrentou censura em várias cidades dos Estados Unidos devido ao uso de linguagem considerada ofensiva. O romance foi associado a episódios violentos, como o assassinato da atriz Rebecca Schaeffer e o atentado contra Ronald Reagan. Notavelmente, Mark David Chapman, que matou John Lennon em 1980, carregava uma cópia do livro, com uma mensagem assinada como Holden Caulfield. Assinantes da revista podem acessar o texto completo.
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