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‘O mystério’, primeiro romance policial brasileiro, é reeditado após 50 anos de ausência

- "O mystério", escrito em 1920, é a primeira trama policial brasileira. - A obra foi reeditada pela Harper Collins, destacando sua relevância histórica. - O detetive Mello Bandeira investiga um assassinato em um Rio de Janeiro moderno. - A narrativa apresenta um experimentalismo colaborativo entre autores renomados. - Apesar de sua importância, a obra ficou esquecida por 50 anos, apagando a literatura de gênero.

A obra “O mystério”, escrita em 1920, é considerada a primeira trama brasileira de crime e foi criada por um quarteto de autores: Coelho Neto, Afrânio Peixoto, Viriato Corrêa e José Medeiros e Albuquerque. Publicada inicialmente como folhetim no jornal “A Folha”, a narrativa apresenta o major Mello Bandeira, um detetive carioca que investiga o […]

A obra “O mystério”, escrita em 1920, é considerada a primeira trama brasileira de crime e foi criada por um quarteto de autores: Coelho Neto, Afrânio Peixoto, Viriato Corrêa e José Medeiros e Albuquerque. Publicada inicialmente como folhetim no jornal “A Folha”, a narrativa apresenta o major Mello Bandeira, um detetive carioca que investiga o assassinato de um banqueiro. A reedição pela coleção Clube do Crime, da Harper Collins, destaca a importância histórica da obra, que ficou 50 anos fora de catálogo.

O contexto da obra se passa em um Rio de Janeiro que saía da Belle Époque e entrava nos Anos Loucos. A trama traz um assassino que se inspira em narrativas policiais, um conceito inovador para a época. Tito Prates, escritor e especialista em romances policiais, ressalta que a obra trouxe um cenário 100% brasileiro, com um protagonista carismático e malandro, o que era uma novidade em um gênero predominantemente anglo-saxão.

Embora “O mystério” seja o primeiro romance policial do Brasil, sua recepção foi limitada, e muitos contemporâneos do gênero não o conhecem. Rodrigo de Lorenzi, jornalista, aponta que a obra revela uma polícia atrapalhada, mais preocupada em satisfazer a imprensa do que em resolver crimes. O estilo colaborativo dos autores, que se revezavam na escrita, gerou um certo experimentalismo, influenciando projetos literários nas décadas seguintes.

Prates observa que a narrativa apresenta descompassos, possivelmente devido aos prazos apertados do folhetim. A obra oscila entre seriedade e comédia, refletindo a falta de reconhecimento do gênero policial até os anos 1950. Essa abordagem humorística, segundo Prates, era comum na época, e a obra, apesar de sua relevância, permaneceu à sombra de outros autores e estilos literários.

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