A série “Ruptura” (Severance), disponível na Apple TV, apresenta uma proposta intrigante: funcionários da Lumon Industries passam por um procedimento cirúrgico que separa suas memórias de trabalho das lembranças da vida cotidiana. Essa abordagem levanta questões sobre a memória episódica declarativa, que envolve registro, armazenamento e evocação de informações. O psicólogo Alan Baddeley estuda esses […]
A série “Ruptura” (Severance), disponível na Apple TV, apresenta uma proposta intrigante: funcionários da Lumon Industries passam por um procedimento cirúrgico que separa suas memórias de trabalho das lembranças da vida cotidiana. Essa abordagem levanta questões sobre a memória episódica declarativa, que envolve registro, armazenamento e evocação de informações. O psicólogo Alan Baddeley estuda esses mecanismos desde a década de 1980, mas muitos aspectos ainda são debatidos.
Na série, o dispositivo implantado em Mark e seus colegas parece criar uma “memória alternativa”, onde as lembranças do trabalho não são acessíveis fora do ambiente corporativo. Esse processo hipotético sugere que o hipocampo, responsável pelo registro da memória, transferiria informações para um novo sistema de armazenamento que se ativa apenas durante o expediente. Assim, as memórias do trabalho seriam bloqueadas fora da empresa.
Embora essa tecnologia seja fascinante, a realidade atual está distante desse cenário. Um implante cerebral capaz de modificar a memória poderia ser revolucionário para tratar doenças como Alzheimer, mas ainda estamos longe de tal avanço. Atualmente, as interfaces cérebro-máquina, como exoesqueletos, representam o que há de mais próximo, mas os caminhos da memória ainda não são totalmente compreendidos.
Por enquanto, os trabalhadores continuarão a lembrar de suas experiências diárias, mesmo após o fim do expediente. A possibilidade de alterar a memória artificialmente no futuro permanece, mas, no presente, as lembranças do trabalho persistem além das 18h01.
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