No dia 7 de fevereiro de 1981, a cidade de Sorocaba, em São Paulo, foi palco de uma manifestação inusitada contra a proibição de beijos em público. Um mandado judicial, expedido em 28 de janeiro, considerou alguns tipos de beijo como “libidinosos e, portanto, obscenos”, gerando indignação entre os jovens da cidade, que na época […]
No dia 7 de fevereiro de 1981, a cidade de Sorocaba, em São Paulo, foi palco de uma manifestação inusitada contra a proibição de beijos em público. Um mandado judicial, expedido em 28 de janeiro, considerou alguns tipos de beijo como “libidinosos e, portanto, obscenos”, gerando indignação entre os jovens da cidade, que na época contava com cerca de 270 mil habitantes.
A mobilização, que inicialmente esperava reunir cerca de 30 pessoas, surpreendeu ao atrair aproximadamente 5 mil manifestantes. Na praça Coronel Fernando Prestes, os participantes exibiram cartazes com frases como “Beijem-se: sejam criminosos!” e entoaram o coro “mais beijo, mais pão, abaixo a repressão”, refletindo o clima de resistência à repressão da ditadura militar que dominava o Brasil.
O evento, conhecido como a “Noite do Beijo”, não apenas ganhou destaque na imprensa da época, mas também foi registrado na literatura. O escritor uruguaio Eduardo Galeano menciona a manifestação em sua obra “Os Filhos dos Dias”, que narra uma história para cada dia do ano, eternizando a memória desse ato de rebeldia.
A proibição de beijos em público em Sorocaba se tornou um símbolo da luta pela liberdade de expressão e da resistência juvenil contra a opressão, destacando a importância da juventude na luta por direitos durante um período conturbado da história brasileira.
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