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Cortisol: a hormona do estresse é mal interpretada nas redes sociais

- Especialistas criticam a simplificação do cortisol nas redes sociais, alertando sobre distorções. - A maioria da população não apresenta hipercortisolismo; hábitos saudáveis são mais eficazes. - Cortisol é essencial para a adaptação do organismo e não deve ser visto apenas como vilão. - Influenciadores promovem suplementos sem evidências científicas, gerando confusão. - Estresse crônico é prejudicial, mas não é a única causa de problemas de saúde mental.

O cortisol, frequentemente chamado de “hormona do estresse”, tem ganhado destaque nas redes sociais, onde influenciadores discutem seus supostos efeitos negativos, como inchaço e fadiga. “Não é que você seja feia, você só tem cara de cortisol,” diz uma influenciadora no TikTok, sugerindo exercícios e suplementos para reduzir seus níveis. No entanto, especialistas alertam que […]

O cortisol, frequentemente chamado de “hormona do estresse”, tem ganhado destaque nas redes sociais, onde influenciadores discutem seus supostos efeitos negativos, como inchaço e fadiga. “Não é que você seja feia, você só tem cara de cortisol,” diz uma influenciadora no TikTok, sugerindo exercícios e suplementos para reduzir seus níveis. No entanto, especialistas alertam que a função do cortisol é mais complexa do que a narrativa simplificada apresentada online. Ele é essencial para a adaptação do organismo a desafios, regulando processos como metabolismo e pressão arterial.

Os níveis de cortisol variam ao longo do dia, sendo mais altos pela manhã e diminuindo à noite. Felicia Hanzu, da Sociedade Espanhola de Endocrinologia e Nutrição, explica que o cortisol não deve ser eliminado, mas sim regulado por meio de um estilo de vida saudável. Embora o estresse crônico possa elevar os níveis de cortisol, a maioria da população apresenta níveis normais. Juan Nácher, do CIBERSAM, ressalta que não estamos enfrentando uma epidemia de cortisol elevado, mas sim um aumento nos níveis de estresse.

Influenciadores frequentemente associam a “cara de cortisol” a sintomas do síndrome de Cushing, uma condição rara que resulta em secreção excessiva de cortisol. Marina Díaz Marsá, da Sociedade Espanhola de Psiquiatria, critica a banalização de doenças graves e a simplificação do papel do cortisol na saúde mental. Ela enfatiza que, embora o estresse crônico seja um fator de risco, não é a única causa de problemas de saúde mental, e a solução não se resume a reduzir o cortisol.

Por fim, especialistas alertam que não existem soluções mágicas ou suplementos milagrosos para equilibrar os níveis de cortisol. Hanzu afirma que, se houvesse um produto eficaz, já estaria em uso. A evidência científica sobre suplementos, como a ashwagandha, é limitada e seu uso pode acarretar riscos. Shannon L. Tosounian, gastroenteróloga, critica a tendência de associar problemas de saúde à “cara de cortisol”, afirmando que isso é “insultante e pouco ético.”

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