A médica Clarissa Matias, primeira brasileira a integrar o conselho da Sociedade de Clínica Oncológica Americana (ASCO), adota uma abordagem singular em seu consultório: questiona seus pacientes sobre religião ou espiritualidade. Essa prática visa proporcionar um ambiente de acolhimento durante o tratamento do câncer, ajudando os pacientes a se sentirem mais compreendidos em um momento […]
A médica Clarissa Matias, primeira brasileira a integrar o conselho da Sociedade de Clínica Oncológica Americana (ASCO), adota uma abordagem singular em seu consultório: questiona seus pacientes sobre religião ou espiritualidade. Essa prática visa proporcionar um ambiente de acolhimento durante o tratamento do câncer, ajudando os pacientes a se sentirem mais compreendidos em um momento de grandes mudanças. Recentemente, Clarissa lançou seu segundo livro, “Encontros com Espiritualidade”, que aborda temas como fé e relações familiares, resultado de lives realizadas durante a pandemia.
Clarissa destaca que a medicina tem se aberto cada vez mais à espiritualidade, refletindo uma mudança de paradigma. “A espiritualidade pode estar relacionada à resiliência de quem passa pelo tratamento,” afirma. Ela menciona que, em congressos como o da ASCO, a espiritualidade tem sido discutida de forma crescente, com estudos mostrando a importância dessa integração para o bem-estar dos pacientes. A médica ressalta que entender a espiritualidade dos pacientes pode influenciar decisões terapêuticas, especialmente em casos onde crenças religiosas impactam tratamentos.
A oncologista relata que muitos pacientes se surpreendem com essa abordagem, sentindo-se acolhidos pela primeira vez. “Nunca tratei ninguém que se incomodou com esse tipo de pergunta,” diz Clarissa, enfatizando a importância do respeito nas interações. Ela também compartilha que, apesar de ter crescido em um ambiente espiritualmente ativo, sempre foi bem recebida ao discutir espiritualidade na medicina, promovendo um diálogo aberto sobre o tema.
Sobre a prevenção do câncer, Clarissa acredita que o assunto é negligenciado e deve ser uma responsabilidade coletiva. “Falar sobre câncer é tarefa de todo mundo,” afirma, ressaltando que 30% dos casos são preveníveis. Ela defende que a conscientização deve começar em casa e ser incorporada em escolas e programas governamentais, enfatizando a necessidade de uma abordagem mais séria e abrangente sobre a prevenção do câncer.
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