Um novo estudo sugere que o uso mais frequente de cannabis pode prejudicar a memória de trabalho, impactando tarefas cotidianas. Natalie Klag, professora assistente de psiquiatria na Ohio State University, explica que a memória de trabalho envolve não apenas lembrar informações, mas também utilizá-las em atividades como seguir instruções e interagir socialmente. A pesquisa, publicada […]
Um novo estudo sugere que o uso mais frequente de cannabis pode prejudicar a memória de trabalho, impactando tarefas cotidianas. Natalie Klag, professora assistente de psiquiatria na Ohio State University, explica que a memória de trabalho envolve não apenas lembrar informações, mas também utilizá-las em atividades como seguir instruções e interagir socialmente. A pesquisa, publicada em 28 de janeiro na JAMA Network Open, não comprova que a cannabis danifica o cérebro, mas reforça evidências de que seu uso prolongado pode afetar habilidades cognitivas.
Os pesquisadores analisaram dados do Human Connectome Project, envolvendo mais de mil usuários de cannabis que realizaram exames de ressonância magnética funcional enquanto completavam testes cognitivos. Os participantes, com idades entre 22 e 36 anos, foram classificados como usuários pesados, moderados ou não usuários, com base na frequência de uso. Os resultados indicaram que o uso intenso de cannabis estava associado a uma redução da atividade cerebral em áreas relacionadas à memória de trabalho, mesmo após excluir usuários recentes.
Klag expressou preocupação com as mudanças estruturais observadas nas áreas do cérebro responsáveis pela memória de trabalho, especialmente em jovens. Embora o uso recente de cannabis tenha se correlacionado com um desempenho ruim em tarefas cognitivas, essa relação desapareceu em análises adicionais. Os pesquisadores sugerem que a abstinência antes de situações cognitivamente exigentes pode melhorar o desempenho, embora a duração da abstinência necessária não esteja clara.
O estudo também revelou que a dependência de cannabis não estava relacionada a alterações na função cerebral, indicando que mesmo usuários sociais podem enfrentar efeitos cognitivos negativos. Klag alerta que, apesar da crescente disponibilidade legal da cannabis, isso não implica que seu uso seja seguro. Ela enfatiza a importância de avaliar o uso de cannabis para evitar consequências negativas a longo prazo, especialmente em indivíduos que podem não perceber os efeitos adversos até pararem de usar.
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