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A nova perspectiva sobre saúde mental: ‘Tratada, a pessoa não é um indivíduo doente’

- O Brasil enfrenta uma crise de saúde mental, com aumento de suicídios desde 2014. - O psiquiatra Flávio Kapczinski coordena um censo nacional de saúde mental em 2025. - O estudo avaliará a prevalência de doenças como depressão e transtorno bipolar. - Diagnóstico precoce é crucial para evitar complicações e reduzir custos ao sistema. - A pesquisa visa melhorar políticas de saúde pública e atendimento a pacientes.

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O aumento dos casos de suicídio no Brasil é um reflexo alarmante da crise de saúde mental, segundo o psiquiatra Flávio Kapczinski, pró-reitor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Ele destaca que a bipolaridade, a depressão e a esquizofrenia devem ser vistas como doenças crônicas e progressivas, que, se tratadas desde a […]

O aumento dos casos de suicídio no Brasil é um reflexo alarmante da crise de saúde mental, segundo o psiquiatra Flávio Kapczinski, pró-reitor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Ele destaca que a bipolaridade, a depressão e a esquizofrenia devem ser vistas como doenças crônicas e progressivas, que, se tratadas desde a juventude, permitem que os pacientes levem uma vida normal. Kapczinski coordena, em parceria com a Fiocruz, o primeiro censo brasileiro de saúde mental, com o objetivo de mapear a situação atual e melhorar o atendimento.

A compreensão das doenças mentais evoluiu, reconhecendo que elas podem surgir na juventude e agravar-se sem tratamento. O especialista alerta que o diagnóstico precoce é crucial para evitar complicações futuras, como o isolamento social e o abuso de substâncias. Ele enfatiza que a desinformação alimenta o estigma, e que pessoas tratadas não devem ser vistas como “indivíduos doentes”. Sinais precoces, como comportamento impulsivo e distúrbios de humor, podem ser identificados por especialistas.

Kapczinski aponta que cerca de 90% dos casos de suicídio estão associados a doenças mentais, como esquizofrenia e depressão. Desde 2014, as taxas de suicídio aumentaram, especialmente entre jovens de 10 a 24 anos. O Brasil carece de estatísticas nacionais sobre a prevalência dessas doenças, mas um estudo iniciado em 2025 visa avaliar a situação, entrevistando 23 mil pessoas. Os resultados devem ser divulgados em 2026 e são essenciais para a formulação de políticas de saúde pública.

A gestão adequada dos recursos é fundamental para atender à demanda por tratamento. Kapczinski ressalta que muitas pessoas com doenças mentais não tratadas enfrentam dificuldades para trabalhar e dependem da previdência social. Além disso, o impacto de desastres naturais na saúde mental é significativo, com um aumento de casos de estresse agudo. Apesar dos desafios, o especialista acredita que o Brasil pode ter sucesso no controle das doenças mentais, assim como ocorreu em outras áreas de saúde pública.

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