Pesquisadores brasileiros e norte-americanos identificaram que mulheres com declínio cognitivo, incluindo demência causada por Alzheimer e demência de corpos de Lewy, apresentam níveis mais baixos de acetil-L-carnitina e carnitina livre no sangue em comparação a pacientes saudáveis. A pesquisa, que analisou amostras de sangue e líquor de 125 pacientes, revelou que quanto mais grave o […]
Pesquisadores brasileiros e norte-americanos identificaram que mulheres com declínio cognitivo, incluindo demência causada por Alzheimer e demência de corpos de Lewy, apresentam níveis mais baixos de acetil-L-carnitina e carnitina livre no sangue em comparação a pacientes saudáveis. A pesquisa, que analisou amostras de sangue e líquor de 125 pacientes, revelou que quanto mais grave o declínio, menores os níveis dessas moléculas. O estudo foi realizado com apoio do Instituto Serapilheira e da Faperj, envolvendo instituições como a UFRJ e universidades dos EUA.
Os cientistas encontraram uma correlação significativa entre a carnitina e marcadores de beta-amiloide e tau, que são indicadores da doença de Alzheimer. Mychael Lourenço, professor da UFRJ e um dos líderes do estudo, destacou que a carnitina pode ter um papel protetor no cérebro, especialmente em mulheres, que têm um risco maior de desenvolver Alzheimer. A pesquisa sugere que a carnitina pode estar mais reduzida nas mulheres, o que as torna mais vulneráveis.
A carnitina, identificada pela primeira vez no século XX, é crucial para a queima de gordura e o funcionamento celular. Além de atuar como um “promoter” para a gordura nas mitocôndrias, parte dela se transforma em acetil-L-carnitina, que regula mecanismos epigenéticos no cérebro. Essas funções são relevantes para entender o declínio cognitivo e a prevalência do Alzheimer entre mulheres, que pode estar ligada a fatores como cromossomos, variações hormonais e condições socioeconômicas.
O diagnóstico de Alzheimer é complexo e envolve testes neuropsicológicos e exames laboratoriais. Embora exames de sangue que analisam biomarcadores tenham mostrado alta precisão, ainda não são 100% confiáveis. Lourenço sugere que medir carnitina pode ser um indicador promissor para melhorar a precisão diagnóstica. O estudo também enfatiza a necessidade de mais pesquisas focadas em mulheres, dado que muitos tratamentos são baseados em dados predominantemente masculinos.
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