As batalhas com armas de gel, impulsionadas pelas redes sociais, têm se espalhado pelo Brasil, gerando preocupações nas autoridades devido aos danos potenciais, especialmente aos olhos. Essas armas, que utilizam bolinhas de gel como munição, são facilmente encontradas à venda em diversas cidades, mas não são classificadas como simples brinquedos pelo Instituto Nacional de Metrologia, […]
As batalhas com armas de gel, impulsionadas pelas redes sociais, têm se espalhado pelo Brasil, gerando preocupações nas autoridades devido aos danos potenciais, especialmente aos olhos. Essas armas, que utilizam bolinhas de gel como munição, são facilmente encontradas à venda em diversas cidades, mas não são classificadas como simples brinquedos pelo Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro). Apesar de seus preços, que variam entre R$ 150 e R$ 210 na região da Saara, no Centro do Rio, elas atraem um público variado, incluindo crianças e adolescentes.
O uso crescente dessas armas tem levado a um aumento no número de atendimentos médicos, especialmente em Pernambuco, onde a Fundação Altino Ventura registrou dezenas de casos de lesões oculares. Médicos alertam que as bolinhas de gel podem causar lesões na córnea, sangramentos internos e até deficiências visuais. Um caso notório foi o de um menino de oito anos que precisou passar por uma cirurgia ocular após ser alvejado. Em resposta, a cidade sancionou uma lei proibindo o uso dessas armas.
Além dos riscos físicos, as armas de gel também geram medo em comunidades afetadas pela violência. Um vídeo que viralizou ilustra essa preocupação, mostrando a confusão que pode ocorrer quando jovens brincam com essas armas em público. O sociólogo Inácio Cano, da Uerj, destacou que a presença dessas armas pode ser perigosa, especialmente à noite, já que a polícia pode confundir objetos inofensivos com armas reais. Ele também mencionou que isso contribui para a cultura das armas.
A polícia tem atuado contra a proliferação dessas armas. Em Pernambuco, uma operação da Polícia Civil apreendeu mais de 3.500 armas de gel com certificação irregular. Apesar das apreensões, a falta de legislação específica dificulta a repressão efetiva, levando parlamentares de pelo menos sete estados a elaborar Projetos de Lei para proibir essas armas. Sem fiscalização adequada, apenas a criação de leis pode não ser suficiente para conter o problema.
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