A influência banto no Rio de Janeiro é significativa e é o tema central do desfile da Mangueira neste ano. O enredo, intitulado “À flor da terra: no Rio da negritude entre dores e paixões”, foi criado pelo carnavalesco paulista Sidnei França, que faz sua estreia no carnaval carioca. A escola utilizou duas centenas de […]
A influência banto no Rio de Janeiro é significativa e é o tema central do desfile da Mangueira neste ano. O enredo, intitulado “À flor da terra: no Rio da negritude entre dores e paixões”, foi criado pelo carnavalesco paulista Sidnei França, que faz sua estreia no carnaval carioca. A escola utilizou duas centenas de cuícas para formar a palavra “cuíca” em um tripé, destacando a importância desse instrumento, que tem raízes banto.
Durante os preparativos, representantes da Mangueira viajaram a Angola para conhecer a cuíca original, que deu origem ao instrumento atual. Além disso, a ala da frente do desfile traz palavras como “fubá” e “bunda”, que também têm origem banto, evidenciando a riqueza cultural que esses povos trouxeram ao Brasil.
O enredo busca não apenas celebrar a música, mas também explorar a presença dos povos bantos, que foram trazidos como escravizados de regiões que hoje correspondem a Angola, Congo, República Democrática do Congo e Moçambique. A herança banto se reflete em diversos aspectos da vida cotidiana no Rio, como a prática de comer na rua e socializar em feiras.
Além disso, a influência banto se estende à religiosidade, com práticas como o culto aos pretos-velhos na Umbanda e o Candomblé de Angola. A “africanização” de rituais cristãos, como os cultos a São Jorge e São Sebastião, também é uma manifestação dessa herança. O português falado no Brasil incorpora palavras de origem banto, como “xodó”, “chamego”, “jiló”, “fubá” e “macumba”, evidenciando a profunda interligação cultural.
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