No desfile das Campeãs do Rio, realizado no último sábado (8), o presidente da Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa), Gabriel David, defendeu a Unidos de Padre Miguel (UPM), afirmando que a escola foi subestimada por ser nova no Grupo Especial. Ele criticou a avaliação de uma jurada que alegou que a escola usou […]
No desfile das Campeãs do Rio, realizado no último sábado (8), o presidente da Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa), Gabriel David, defendeu a Unidos de Padre Miguel (UPM), afirmando que a escola foi subestimada por ser nova no Grupo Especial. Ele criticou a avaliação de uma jurada que alegou que a escola usou muitos termos em iorubá, afirmando que essa jurada não será renovada e que as escolas devem ter liberdade para expressar suas culturas. David também mencionou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) assinado em 2019, que impede a Liesa de interferir nos resultados após a Quarta-Feira de Cinzas.
O enredo da UPM deste ano homenageou a africana Iyá Nassô e o Terreiro da Casa Branca do Engenho Velho, destacando a importância da ancestralidade e da resistência cultural. Margareth, uma das representantes da escola, enfatizou que a penalização por usar termos em iorubá é um desrespeito à cultura afro-brasileira. A UPM, que terminou em último lugar entre as doze escolas do Grupo Especial, classificou a nota 9,9 recebida como “inaceitável”, argumentando que a penalização expõe o racismo religioso ainda presente no Brasil.
A ministra da Cultura também se manifestou contra a perda de pontos da UPM, que resultou no rebaixamento da escola à Série Ouro do carnaval. Em resposta à situação, a UPM anunciou que entrará com um recurso na Liesa, alegando que a penalização foi baseada em inconsistências e uma falha técnica no caminhão de som, que não deveria ter afetado a pontuação. A escola está reunindo elementos para apresentar um pedido formal, buscando contestar a decisão de forma respeitosa e justa.
A UPM destacou que as palavras em iorubá são essenciais para a vivência do Axé da Casa Branca e representam a resistência cultural de Iyá Nassô. A escola reafirmou seu compromisso com a valorização da cultura afro-brasileira e a luta contra a discriminação, buscando os meios adequados para contestar a decisão e garantir a justiça para sua comunidade.
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