Cientistas estão reavaliando a natureza do Alzheimer, sugerindo que a doença pode ser uma infecção, com foco na bactéria Porphyromonas gingivalis, identificada em cérebros de pacientes falecidos com a condição. Um estudo na revista Science Advances revela que essa bactéria, responsável pela periodontite crônica, pode estar ligada ao aumento da produção de beta-amiloide, uma proteína […]
Cientistas estão reavaliando a natureza do Alzheimer, sugerindo que a doença pode ser uma infecção, com foco na bactéria Porphyromonas gingivalis, identificada em cérebros de pacientes falecidos com a condição. Um estudo na revista Science Advances revela que essa bactéria, responsável pela periodontite crônica, pode estar ligada ao aumento da produção de beta-amiloide, uma proteína associada ao Alzheimer, em experimentos com camundongos.
Embora os pesquisadores não confirmem que a P. gingivalis seja a causa do Alzheimer, suas descobertas abrem novas possibilidades de investigação. Além dessa bactéria, outras infecções, como as causadas por vírus e fungos, também podem contribuir para o desenvolvimento de demências. Um estudo na Journal of the Alzheimer’s Association sugere que agentes infecciosos podem acelerar a neurodegeneração e, em alguns casos, ser revertidos com tratamentos adequados.
Pesquisas adicionais indicam que infecções virais, como as do herpes (HSV-1), podem estar ligadas ao Alzheimer, pois sua reativação no cérebro provoca inflamação e favorece o acúmulo de biomarcadores da doença. A presença de gingipaínas, enzimas tóxicas da P. gingivalis, foi identificada em cérebros de indivíduos sem Alzheimer, sugerindo que a infecção pode preceder os sintomas clínicos.
Na Austrália, pesquisadores desenvolvem uma vacina contra a P. gingivalis, com testes iniciados em 2018. Uma vacina eficaz poderia não apenas prevenir a periodontite, mas também reduzir o risco de Alzheimer. Essas descobertas ressaltam a importância de considerar fatores infecciosos na pesquisa sobre demências, ampliando o foco para além das hipóteses genéticas e metabólicas, e destacam a relevância da saúde bucal na prevenção de infecções sistêmicas.
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