A mordida do monstro-de-gila, um lagarto peçonhento encontrado nos EUA e no México, pode ser fatal para humanos. No entanto, seu veneno contém um ingrediente que levou ao desenvolvimento de medicamentos como Ozempic e Wegovy, que são agonistas do peptídeo semelhante ao glucagon (GLP-1). Segundo a Universidade de Queensland, esse lagarto pode sobreviver até um […]
A mordida do monstro-de-gila, um lagarto peçonhento encontrado nos EUA e no México, pode ser fatal para humanos. No entanto, seu veneno contém um ingrediente que levou ao desenvolvimento de medicamentos como Ozempic e Wegovy, que são agonistas do peptídeo semelhante ao glucagon (GLP-1). Segundo a Universidade de Queensland, esse lagarto pode sobreviver até um ano com apenas seis refeições, devido a um hormônio em seu veneno que desacelera seu metabolismo e tem um efeito tóxico sobre suas presas.
Pesquisadores, incluindo o endocrinologista John Eng e o gastroenterologista Jean-Pierre Raufman, sequenciaram as proteínas do veneno e identificaram duas que se assemelham ao GLP-1 humano. O endocrinologista Daniel Drucker, da Universidade de Toronto, estava em busca de um hormônio intestinal com propriedades de supressão do apetite e regulação do açúcar no sangue, que não fosse rapidamente decomposto pelo corpo. O GLP-1 humano é eliminado rapidamente, o que motivou Drucker a investigar o veneno do monstro-de-gila.
A pesquisa confirmou que os genes do lagarto produzem a proteína Exendin-4, que imita o GLP-1 e permanece no organismo humano por um período mais prolongado. Essa descoberta foi fundamental para o desenvolvimento da semaglutida, o princípio ativo dos medicamentos Ozempic e Wegovy. Além disso, a utilização de venenos de animais tóxicos para benefícios à saúde humana não é nova; por exemplo, o lisinopril, um dos medicamentos mais vendidos, deriva do veneno da víbora brasileira, e os nucleosídeos da esponja caribenha inspiraram o quimioterápico citarabina, essencial no tratamento de linfoma não-Hodgkin e leucemia.
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