A dependência de modelos animais em pesquisas científicas tem sido questionada, conforme evidenciado por Catharine Krebs, gerente de programas de pesquisa médica da Physicians Committee for Responsible Medicine (PCRM). Durante sua formação, Krebs notou uma tendência de afirmar que descobertas precisariam ser confirmadas em modelos vivos, geralmente envolvendo animais, um reflexo do que ela chama […]
A dependência de modelos animais em pesquisas científicas tem sido questionada, conforme evidenciado por Catharine Krebs, gerente de programas de pesquisa médica da Physicians Committee for Responsible Medicine (PCRM). Durante sua formação, Krebs notou uma tendência de afirmar que descobertas precisariam ser confirmadas em modelos vivos, geralmente envolvendo animais, um reflexo do que ela chama de “viés de métodos animais”. Esse viés se refere à preferência por métodos baseados em animais, mesmo quando alternativas não animais estão disponíveis. Em um estudo recente, Krebs e colaboradores identificaram que muitos pesquisadores sentem que a pressão para incluir componentes de pesquisa animal em seus trabalhos é desnecessária, especialmente em áreas que não requerem tal abordagem.
A pesquisa sobre o viés de métodos animais revelou que a pressão para usar modelos animais pode ser mais intensa para pesquisadores em início de carreira, que podem sentir que essa é a única forma de garantir publicações ou financiamentos. “Se eles passam por essa experiência, isso pode reforçar a ideia de que precisam usar modelos animais”, observa Krebs. Essa situação é preocupante, pois muitos estudos em modelos animais não se traduzem em resultados eficazes para humanos, com cerca de 90% dos medicamentos falhando em ensaios clínicos, em parte devido à dependência excessiva de modelos animais.
A aceitação de metodologias alternativas (NAMs) está crescendo, embora lentamente. Em 2021, apenas 8% dos prêmios competitivos do National Institutes of Health (NIH) foram destinados a métodos alternativos, um aumento significativo em relação a décadas anteriores. Danilo Tagle, do NIH, destaca que a pesquisa com NAMs está se expandindo, especialmente com iniciativas que buscam identificar áreas onde modelos animais são inadequados. A criação de modelos como “órgãos em chip” está ganhando destaque, permitindo simulações mais precisas de processos biológicos humanos.
A mudança em direção a métodos não animais é apoiada por financiamentos de organizações não governamentais, que têm se mostrado cruciais para pesquisadores como Laura Sinclair, que se beneficiou de um modelo de financiamento inovador. Embora o financiamento para pesquisas sem animais ainda seja menor em comparação com os grandes prêmios governamentais, a crescente demanda por alternativas e a evolução tecnológica prometem um futuro mais promissor para a pesquisa biomédica, com menos dependência de modelos animais.
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