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Cientistas criam minisistema nervoso humano capaz de detectar dor em laboratório

Minisistema nervoso humano criado em laboratório pode revolucionar o entendimento da dor e do autismo, segundo pesquisa publicada na Nature.

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Santiago Ramón y Cajal, um médico espanhol, mudou a forma como entendemos o cérebro em 1891 ao provar que ele é feito de células chamadas neuronas, e não de uma rede contínua. Mais de um século depois, o médico Sergiu Pasca, de 43 anos, criou um pequeno sistema nervoso humano em laboratório que pode sentir dor. Ele usou células da pele de voluntários e as transformou em neuronas organizadas em estruturas chamadas assembloides. Essas estruturas, que têm cerca de dois centímetros e contêm quatro milhões de células, podem transmitir sinais de dor.

Pasca e sua equipe usam substâncias como a capsaicina, que está em pimentas, para induzir a sensação de dor nos assembloides. Embora esse sistema não tenha algumas partes importantes do cérebro, como a amígdala, Pasca acredita que ele pode ajudar a entender melhor condições como o autismo, que muitas vezes envolvem hipersensibilidade a estímulos. Ele planeja estudar como mutações genéticas ligadas ao autismo afetam os circuitos neurais.

Um neurobiólogo, Félix Viana, elogiou a inovação, mas expressou dúvidas sobre a capacidade dos assembloides de replicar a complexidade da dor humana, já que a dor é uma experiência pessoal. Apesar disso, Pasca continua a explorar as possibilidades de seus assembloides para investigar questões neurológicas.

Santiago Ramón y Cajal, um espanhol de trinta e nove anos, revolucionou a neurociência em mil oitocentos e noventa e um ao demonstrar que o cérebro é composto por neuronas individuais, desafiando a ideia de uma rede contínua. Mais de um século depois, o médico Sergiu Pasca, aos quarenta e três anos, criou um minisistema nervoso humano em laboratório, capaz de detectar dor, utilizando células reprogramadas. Seus achados foram publicados na revista Nature, marcando um avanço significativo na pesquisa sobre dor e autismo.

Pasca reprogramou células da pele de voluntários, transformando-as em neuronas que se organizaram em estruturas chamadas assembloides. Em dois anos, ele conseguiu conectar diferentes tipos de células, formando circuitos que simulam o movimento voluntário. O novo sistema nervoso, que possui quatro milhões de células, é descrito como uma “salchicha” de dois centímetros, capaz de transmitir estímulos dolorosos. Pasca destacou a importância de entender a biologia do dor crônica, que afeta cerca de um quarto da população.

Os pesquisadores utilizam substâncias como a capsaicina, presente em pimentas, para induzir a sensação de dor nos assembloides. Embora o sistema de Pasca não possua células de regiões chave do cérebro, como a amígdala, ele acredita que essas estruturas podem ajudar a entender melhor os transtornos do espectro autista, que frequentemente envolvem hipersensibilidade a estímulos sensoriais. Pasca planeja introduzir mutações genéticas associadas ao autismo nos assembloides para investigar como elas afetam os circuitos neurais.

O neurobiólogo Félix Viana, que não participou do estudo, elogiou a inovação técnica, mas expressou ceticismo quanto à capacidade dos assembloides de reproduzir a complexidade da dor humana. Ele ressaltou que a dor é uma experiência subjetiva e que, apesar do potencial dos assembloides para testes preliminares de medicamentos, sua aplicação prática pode ser limitada no curto prazo. Pasca, por sua vez, continua a explorar as possibilidades de seus assembloides para abordar questões neurológicas complexas.

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