Biólogos colombianos descobriram que os ursos andinos, que antes eram vistos como animais silenciosos, na verdade fazem uma variedade de sons durante o cortejo e a cópula. Eles identificaram cinco tipos de vocalizações, incluindo tarareios, grunhidos e quejidos. Antes, os registros de sons eram limitados a interações entre mães e filhotes em cativeiro. A pesquisa, publicada na Revista Mexicana de Biodiversidade, revelou que as fêmeas emitiram 33 vocalizações e os machos, 48. Durante a cópula, os machos mostraram momentos de agressividade, como morder o pescoço das fêmeas, que reagiram com sons agudos. Os cientistas usaram espectrogramas para analisar os sons, que incluem frequências inaudíveis para os humanos. As gravações foram feitas em projetos comunitários em áreas da Colômbia e da Bolívia. A pesquisa também destaca a importância de envolver as comunidades na conservação dos ursos andinos, mostrando que esses animais têm uma comunicação mais rica do que se pensava.
Um grupo de biólogos colombianos fez uma descoberta inovadora sobre os ursos andinos (Tremarctos ornatus), identificando uma série de vocalizações durante o cortejo e a cópula. Os pesquisadores registraram cinco tipos de sons, revelando a complexidade da comunicação desses animais, que eram considerados silenciosos.
A pesquisa, liderada por Ángela Mendoza Henao, do Instituto Humboldt, desafiou a crença de que os ursos andinos não se comunicam vocalmente. “A hipótese era que, por viverem em habitats fechados, não convinha serem ruidosos”, explicou Henao. Os biólogos utilizaram câmeras trap para capturar vídeos e sons, identificando um total de 33 vocalizações emitidas por fêmeas e 48 por machos.
Descobertas Sonoras
Os cientistas catalogaram sons como tarareios, grunhidos, quejidos, roncos e ruídos ao morder. Durante a cópula, foram observados momentos de agressividade, como quando o macho mordeu o pescoço da fêmea, que emitiu um som agudo. Para entender melhor essas vocalizações, os pesquisadores transformaram os sons em espectrogramas, permitindo uma análise mais precisa.
Nicolás Reyes Amaya, curador da coleção de mamíferos do Instituto Humboldt, destacou que as gravações foram obtidas por meio de projetos comunitários em regiões da Colômbia e da Bolívia. “O som registrado pelas câmeras trap é subutilizado. As pessoas costumam focar apenas nas imagens”, afirmou. A iniciativa visa também promover a conservação da espécie, envolvendo as comunidades locais.
Legado e Conservação
Adriana Reyes, primeira autora do estudo, faleceu em março de 2025, mas seu trabalho continua a inspirar a pesquisa e a conservação do urso andino. “Ela acreditava na importância de trabalhar com as comunidades vizinhas para proteger a fauna local”, disse Henao. O estudo não apenas amplia o conhecimento sobre os ursos andinos, mas também reforça a necessidade de um vínculo entre humanos e a fauna silvestre.
A descoberta de que os ursos andinos emitem sons complexos é um passo importante para a conservação da espécie, que enfrenta riscos de extinção. “Compreender suas vocalizações é fundamental para proteger esses animais e a biodiversidade”, concluiu Reyes Amaya.
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