Pesquisadores criaram um novo modelo chamado Neptune para explicar as experiências de quase morte, como visões e sensações que algumas pessoas têm em situações de risco. Esse modelo, publicado na revista Nature Reviews Neurology, oferece uma visão neuropsicológica e evolutiva sobre esses fenômenos. A neurocientista Charlotte Martial, uma das autoras do estudo, afirma que o modelo é o primeiro a juntar várias teorias sobre NDEs, explicando como experiências intensas podem ocorrer em momentos críticos. O estudo mostra que, durante essas experiências, há uma liberação de neurotransmissores no cérebro, que pode causar sensações de paz, visões vívidas e desconexão do corpo. Esses neurotransmissores estão ligados a reações em situações de perigo e podem ajudar a entender a consciência humana. Além disso, o modelo sugere que as NDEs podem ter uma base evolutiva, já que reações semelhantes foram observadas em outros animais. Os pesquisadores estão coletando relatos de experiências de quase morte em todo o mundo para aprofundar a pesquisa.
Pesquisadores desenvolveram um novo modelo científico, chamado Neptune, que busca explicar as experiências de quase morte (NDEs, na sigla em inglês). O estudo foi publicado na revista *Nature Reviews Neurology* no final de março. O modelo oferece uma perspectiva neuropsicológica e evolutiva sobre esses fenômenos, que incluem visões e sensações relatadas por pessoas em situações críticas.
A neurocientista Charlotte Martial, autora correspondente do estudo, destaca que, até o momento, as teorias sobre NDEs eram frequentemente isoladas. O modelo Neptune apresenta uma explicação coerente sobre como experiências complexas podem surgir em condições fisiológicas extremas. O grupo de pesquisa é composto por cientistas do Instituto Giga, da Universidade de Liège, e colaboradores da Dinamarca e dos Estados Unidos.
Mecanismos Neurofisiológicos
Os pesquisadores identificaram que a liberação de neurotransmissores, como serotonina e dopamina, desempenha um papel crucial nas NDEs. Quando o cérebro sofre anoxia (falta de oxigênio), ocorre uma reação em cadeia que ativa esses neurotransmissores. Isso pode resultar em sensações de paz, visões vívidas e desconexão do corpo. Martial explica que a ativação de sistemas cerebrais semelhantes em outros animais sugere uma base evolutiva para essas experiências.
O estudo também sugere que entender a atividade cerebral durante a ressuscitação pode oferecer insights sobre a consciência humana. Experiências vívidas frequentemente ocorrem em momentos em que se presume que não há consciência, levantando questões sobre a natureza da experiência humana no limiar da morte.
Coleta de Dados
Os pesquisadores estão coletando relatos de NDEs ao redor do mundo. A participação na pesquisa está aberta a todos, incluindo falantes de português. O objetivo é aprofundar a compreensão sobre esses fenômenos e suas implicações para a consciência e a experiência humana.
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