O sotatercepte, um novo medicamento para hipertensão arterial pulmonar, já está disponível no Brasil e promete melhorar a vida dos pacientes. Essa condição é rara e afeta principalmente mulheres, causando dificuldades para respirar e limitações nas atividades diárias. O sotatercepte, vendido como Winrevair, ajuda a aumentar a capacidade de exercícios e reduz o risco de complicações. Ligia, uma aposentada de 66 anos, foi diagnosticada com a doença e, após iniciar o tratamento com sotatercepte, conseguiu parar de usar oxigênio e saiu da fila de transplante. O medicamento atua controlando proteínas que causam o estreitamento dos vasos sanguíneos nos pulmões. Em um estudo, pacientes que usaram sotatercepte melhoraram significativamente em comparação com aqueles que tomaram placebo. Apesar de ser um avanço, o custo do medicamento é alto, e a empresa responsável está buscando formas de disponibilizá-lo pelo Sistema Único de Saúde.
Um novo tratamento para a hipertensão arterial pulmonar, uma condição rara que afeta principalmente mulheres, já está disponível no Brasil. O sotatercepte, comercializado como Winrevair pela farmacêutica MSD, melhora a qualidade de vida dos pacientes e permite que alguns deixem a fila de transplante.
A hipertensão arterial pulmonar é caracterizada pelo estreitamento dos vasos sanguíneos nos pulmões, forçando o coração a trabalhar mais. Os sintomas incluem falta de ar, dor no peito e tontura, levando a limitações físicas e redução da expectativa de vida. Sem tratamento, a expectativa de vida após o diagnóstico é de dois a três anos. A condição afeta entre 15 e 50 pessoas a cada milhão, principalmente mulheres entre 30 e 60 anos.
Ligia Helena Tricta Spockler Benevides, de 66 anos, começou a sentir sintomas em 2016. Após um diagnóstico de hipertensão arterial pulmonar, ela iniciou o tratamento padrão, mas os medicamentos disponíveis apenas controlavam os sintomas. Ligia entrou na fila de transplante, mas ao participar de um estudo clínico do sotatercepte, notou melhorias significativas. “Na terceira dose, já senti tanta melhora que comentei com minha médica”, relata.
O sotatercepte atua controlando proteínas chamadas activinas, que são superproduzidas em pacientes com a doença. O professor Marius Hoeper, da Faculdade de Medicina de Hannover, destaca que o medicamento permite uma nova abordagem no tratamento, mesmo em casos considerados intratáveis. A administração é feita por injeção subcutânea a cada 21 dias, em combinação com outras terapias.
Os resultados de um ensaio clínico com 323 pacientes mostraram que o sotatercepte melhorou a distância percorrida em seis minutos em mais de 40 metros, enquanto o grupo que recebeu placebo teve uma redução de 1,4 metro. Nos Estados Unidos, o medicamento recebeu a designação de “Terapia Inovadora” pela FDA.
Apesar dos avanços, o custo do sotatercepte é elevado, com preço de fábrica de R$ 51.348,02 por dose. A MSD está desenvolvendo uma estratégia para solicitar a incorporação do medicamento ao Sistema Único de Saúde (SUS), mas, por enquanto, ele não estará disponível em farmácias e requer prescrição médica.
Entre na conversa da comunidade