Maribel Suñagua, conhecida como Quya Reyna, destaca-se internacionalmente com seu livro “Los hijos de Goni”, que retrata a vida em El Alto, a segunda cidade mais populosa da Bolívia. A escritora aimara, de trinta anos, participa da Feira do Livro de Madrid, onde compartilha suas experiências sobre identidade indígena.
El Alto é reconhecida por sua alta proporção de população indígena e por ser um centro de resistência contra o neoliberalismo na América Latina. A cidade, que cresce a uma taxa anual de nove por cento, tem sido descrita como um “epicentro de revoluções indígenas” e um “símbolo de resistência”. No entanto, até agora, faltava uma voz que contasse suas singularidades de dentro.
O livro de Reyna, publicado pela editora Sobras Selectas, esgotou duas edições e prepara uma terceira ilustrada. A obra reúne relatos em primeira pessoa sobre a vida cotidiana em El Alto, incluindo as interações dos comerciantes e a cultura local. A escritora, que se mudou para Santa Cruz, planeja escrever um novo livro que questiona as dinâmicas sociais da cidade, considerada antagônica a El Alto.
Reyna reflete sobre sua identidade aimara e como a percepção social influencia essa identidade. Ela menciona que, até os conflitos sociais de 2019, não tinha consciência do impacto de sua aparência. Os insultos racistas que recebeu a fizeram perceber a realidade do racismo persistente, mesmo entre pessoas de pele semelhante.
A escritora critica a falta de representatividade indígena em eventos culturais e acadêmicos, enfatizando a importância de vozes autênticas. Ela deseja que os aimaras e outros povos indígenas possam contar suas próprias histórias, em vez de serem representados por outsiders. Reyna expressa nervosismo sobre sua primeira viagem à Europa, refletindo sobre a história colonial e suas implicações na percepção dos latino-americanos.
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