O romance “As perfeições”, de Vincenzo Latronico, foi finalista do Booker Prize 2025 e aborda a vida de um casal de nômades italianos em Berlim. O livro, recém-lançado no Brasil pela editora Todavia, reflete sobre a busca por autenticidade na era digital. Os protagonistas, Anna e Tom, são jovens criativos que buscam experiências “autênticas” em […]
O romance “As perfeições”, de Vincenzo Latronico, foi finalista do Booker Prize 2025 e aborda a vida de um casal de nômades italianos em Berlim. O livro, recém-lançado no Brasil pela editora Todavia, reflete sobre a busca por autenticidade na era digital.
Os protagonistas, Anna e Tom, são jovens criativos que buscam experiências “autênticas” em um cenário cosmopolita. No entanto, fora das redes sociais, eles enfrentam um vazio existencial. Latronico, que cancelou sua participação na Bienal do Livro do Rio, destaca a ironia da busca por autenticidade, que se transforma em uma estética globalizada.
Em entrevista, Latronico afirmou que seu interesse era capturar como o tempo é percebido na vida online. “Quando se rola uma foto depois da outra, você tem a impressão de que não há uma história”, disse ele. O autor, que cresceu com a internet, reflete sobre a sensação de que a vida não deveria ser mediada por aplicativos.
O romance também aborda a gentrificação em Berlim, onde Tom e Anna, webdesigners freelancers, buscam espaços mais “autênticos”. A busca por singularidade, no entanto, resulta em um simulacro de originalidade, refletindo a padronização estética que permeia a cidade.
Latronico questiona a obsessão da geração millennial por autenticidade, ressaltando que essa busca se tornou uma estética homogênea. “O mesmo tipo de café é igual em Milão, em Berlim, no Rio”, conclui. O autor se inspira em “As coisas”, de Georges Perec, para explorar a ilusão de liberdade através do consumismo.
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