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Americano se torna cobaia humana para desenvolver antídoto universal contra veneno de cobra

Tim Friede, que já foi mordido por cobras mais de 200 vezes, pode ter desenvolvido um antídoto universal contra venenos, segundo estudo recente.

Tim Friede, um americano de Wisconsin, tem um histórico impressionante de exposição a picadas de cobras, tendo sido mordido mais de duzentas vezes entre 2008 e 2018. Essa prática, conhecida como mitridatismo, visa desenvolver imunidade ao veneno. Recentemente, um estudo publicado na revista *Cell* revelou que os anticorpos presentes em seu sangue oferecem proteção contra […]

Tim Friede, um americano de Wisconsin, tem um histórico impressionante de exposição a picadas de cobras, tendo sido mordido mais de duzentas vezes entre 2008 e 2018. Essa prática, conhecida como mitridatismo, visa desenvolver imunidade ao veneno. Recentemente, um estudo publicado na revista *Cell* revelou que os anticorpos presentes em seu sangue oferecem proteção contra diversos venenos de cobras, com potencial para um antídoto universal.

Em uma das situações mais críticas, em setembro de 2001, Friede foi mordido por uma cobra egípcia e, em seguida, por uma cobra de monóculo em um intervalo de menos de uma hora. Ele descreveu a experiência como próxima da morte, tendo acordado de um coma quatro dias depois. Friede começou a injetar veneno em si mesmo para estimular a produção de anticorpos, uma prática que não deve ser tentada por ninguém.

O estudo recente destaca que a hiperimunidade de Friede pode ser a base para um novo antídoto. Atualmente, a maioria dos soros antiofídicos cobre apenas algumas das seiscentas espécies de cobras venenosas conhecidas. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que até 138 mil pessoas morrem anualmente devido a picadas de cobra, com muitos casos não reportados.

O imunologista Jacob Glanville, que se interessou pelo caso de Friede, acredita que o sangue dele pode ser crucial para o desenvolvimento de um antídoto universal. O novo antídoto, que inclui anticorpos do sangue de Friede e um medicamento chamado varespladib, demonstrou proteção total em camundongos contra treze das dezenove espécies de serpentes testadas.

Pesquisadores planejam realizar mais testes em cães na Austrália. Timothy Jackson, da Australian Venom Research Unit, elogiou a pesquisa, mas questionou a necessidade de envolver um humano no experimento, já que anticorpos sintéticos estão disponíveis. Friede expressou orgulho por contribuir para a história da medicina, afirmando que sua experiência pode fazer a diferença.

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