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Bolívia rejeita Starlink e mantém controle estatal sobre internet via satélite

Bolívia rejeita Starlink e mantém internet sob controle estatal, mesmo com demanda crescente por conectividade rápida e acessível.

A Bolívia rejeitou a licença de operação da Starlink, serviço de internet via satélite da SpaceX, optando por manter a conectividade sob controle estatal. O país, que enfrenta uma grave crise de internet, ainda depende de um satélite chinês envelhecido, lançado em 2013. A decisão, tomada no ano passado, ocorre em um contexto de crescente […]

A Bolívia rejeitou a licença de operação da Starlink, serviço de internet via satélite da SpaceX, optando por manter a conectividade sob controle estatal. O país, que enfrenta uma grave crise de internet, ainda depende de um satélite chinês envelhecido, lançado em 2013. A decisão, tomada no ano passado, ocorre em um contexto de crescente demanda por internet rápida e acessível, especialmente em áreas remotas.

A Bolívia possui a pior velocidade de internet da América do Sul, com mais de 90% da população dependendo de celulares para se conectar. No entanto, em áreas rurais, o sinal é frequentemente fraco ou inexistente. O diretor da agência espacial boliviana, Iván Zambrana, afirmou que a entrada da Starlink poderia desequilibrar o mercado local e comprometer a soberania do país. Ele destacou que qualquer empresa que opere no país deve respeitar as regulamentações locais.

Enquanto isso, a Starlink tem se expandido rapidamente na América Latina, alcançando até comunidades indígenas isoladas. No Brasil, seu maior mercado na região, já são mais de 250 mil usuários desde 2022. Contudo, o governo brasileiro também busca alternativas, como um acordo com a empresa chinesa SpaceSail, após desentendimentos com Elon Musk sobre moderação de conteúdo.

Desafios da Conectividade

O satélite chinês utilizado pela Bolívia apresenta sinal fraco e cobertura limitada, com previsão de obsolescência até 2028. O governo boliviano está em conversas com a SpaceSail para desenvolver uma nova rede de satélites, que deve lançar 648 satélites em 2025 e até 15 mil até 2030. Apesar da resistência oficial, há pressão crescente para reavaliar a decisão sobre a Starlink.

Em áreas como Quetena Chico, professores enfrentam dificuldades para acessar recursos educacionais. Adrián Valencia, um educador local, precisa viajar por seis horas para conseguir fazer upload de vídeos para seus alunos. Ele afirmou que “não ter internet é como não saber ler”. Hotéis na fronteira com o Chile chegaram a contrabandear equipamentos da Starlink para oferecer conexão.

A Starlink continua listando a Bolívia como um país com previsão de cobertura a partir de 2025. A disputa entre a soberania estatal e a demanda por conectividade persiste, enquanto o país busca soluções para melhorar o acesso à internet em um dos locais mais desconectados do continente.

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