Fernanda Abreu celebra aos 30 anos o álbum Da Lata, que uniu samba e funk e moldou sua trajetória. A narrativa discute a origem do movimento no Rio de Janeiro, em meio a tensões sociais e a uma leitura midiática marcada por estigmas.
O encontro com o movimento ocorreu após o fim da banda Blitz. O antropólogo Hermano Vianna apresentou a cantora a uma cena de bailes com sound system de grande porte, ainda sem MCs, mas com DJs em evidência. O momento foi registrado pela jornalista de CartaCapital.
Fernanda aponta que o funk nasceu autêntico, sem apoio de publicidade ou gravadoras, e viu nos bailes uma voz da favela. O contexto da violência urbana ampliou um distanciamento entre a mídia e a população, o que contribuiu para a criminalização do gênero.
A cantora sustenta que o preconceito não está nas letras, e sim no racismo estrutural. Segundo ela, o funk é feito por pretos, pobres e moradores de favela, o que explica o tratamento desigual recebido pela cena.
Da Lata consolidou o cruzamento entre samba, funk e outras referências de dança negra, disco e house. Em entrevista, Fernanda destaca a busca por uma identidade dançante brasileira e o papel do álbum nessa identidade.
Entre as faixas que marcaram o disco estão A Lata, Veneno da Lata, Garota Sangue Bom e Brasil é o País do Suingue. O título do álbum sintetiza o uso da lata, a expressão direta e o humor irônico sobre um episódio dos anos 1980.
Fausto Fawcett figura entre as parcerias do disco, já presente na visão de Fernanda antes da carreira solo. A colaboração culminou em Rio 40 Graus, criada para outras obras da artista, conforme ela comenta.
O Rio é visto pela artista como um microcosmo brasileiro: belo, desigual e caótico. Essa leitura reforça a ideia de que a violência convive com iniciativas de resistência e alegria cotidiana.
Perspectivas e projetos recentes
A celebração de Da Lata inclui um documentário sobre o álbum, com contextualização política e social da época, previsto para festivais de cinema em 2026. Também serão lançados um livro e uma reedição em vinil.
Shows comemorativos estão programados ainda neste ano, com foco na contextualização histórica do disco. O próximo trabalho de Fernanda Abreu, o primeiro desde Amor Geral, está previsto para 2027.
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