Cartola marcou 50 anos desde o registro de seu segundo álbum solo, lançado em 1976 pela Marcus Pereira. O disco traz, entre outras pérolas, o registro de O Mundo É um Moinho, que abre o álbum, e As Rosas Não Falam, faixa que consolidou o lirismo do sambista.
O álbum apresenta as performances de Cartola com composições de grande peso emocional. O Mundo É um Moinho foi criado para Creusa, filha de criação que desejava deixar o lar após uma decepção amorosa. A gravação ganha o toque do violão de Guinga, já vislumbrando o papel de parceiro de Aldir Blanc.
Outra faixa emblemática é As Rosas Não Falam, cuja letra explora o paradoxo entre silêncio e sentimento. A interpretação de Cartola reforça a identidade poética do artista, evidenciando a simplicidade elegante de sua obra. O repertório se mantém fiel à tradição do samba de raiz.
Ainda no mesmo disco, destaca-se Preciso Me Encontrar, de Candeia. A música inicia com violão e fagote, apresentando a busca por sentido em meio à infelicidade. A leitura de Cartola aproxima o ouvinte da essência de sua poética.
Principais faixas e participação
Além das duas obras citadas, o álbum reserva registros como Minha, Sala de Recepção, Não Posso Viver Sem Ela e Cordas de Aço, entre outras composições que se estruturam pela densidade poética. Creusa participa de Sala de Recepção e Ensaboa, marcando presença destacada no disco.
A produção é de Juarez Barroso, com direção musical e arranjos de Horondino Silva, o Dino Sete Cordas. O time instrumental inclui Meira, Canhoto, Nelsinho do Trombone, Altamiro Carrilho na flauta e Abel Ferreira no saxofone, além de participações especiais de Airton Barbosa, Guinga e José Menezes.
O conjunto, com Elton Medeiros na percussão e outros instrumentistas, revela um registro de gênio. O segundo disco de Cartola é considerado um marco da música brasileira, reunindo composições que marcaram gerações e consolidaram a identidade do samba.
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