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Fotógrafo da AP usa Picasso para mostrar como pessoa cega vê a arte

Fotógrafa usa exposição longa para mostrar como toque, voz e luz revelam a obra de Michelangelo para Stefania Terre, no museu Tattile Omero

Stefania Terre, who is blind, uses a small light on her fingers while touching a life-size reproduction of the head of Michelangelo’s David as she poses for a long-exposure photograph at the Omero Tactile Museum in Ancona, Italy, Thursday, Jan. 15, 2026. (AP Photo/Alessandra Tarantino)
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O objetivo de uma fotógrafa da Associated Press era mostrar como uma pessoa cega percebe arte. Em Ancona (Itália), a imagem resultante fuse o toque com a iluminação de um rosto definido pela estátua de Michelangelo, em uma experiência realizada no Museum Ómero Tactile. A foto foi tirada na noite de 15 de janeiro de 2026.

A autora Alessandra Tarantino, correspondente da AP na Itália desde 2005, descreve a produção como uma tentativa de traduzir o conceito de visão tátil. Stefania Terre, mulher cega, conduziu a sessão com apoio do Museu Tattile Omero e de parceiros da associação Radici, que organiza visitas inclusivas em Roma.

A captura usa longa exposição: a câmera ficou estável em um tripé, com ISO 50, abertura f/16 e 24 segundos de exposição. Stefania usou uma pequena luz de LED presa ao dedo para iluminar a cabeça de David, enquanto o rosto dela aparecia de forma sutil no fundo.

Por que funciona, segundo Tarantino, é que a imagem sugere como mãos exploram a obra de arte. O projeto reforça o lema do museu: Forbidden not to touch, destacando o papel do toque, do som e do cheiro na experiência estética para pessoas com deficiência.

Como foi feito

A equipe chegou a combinar referências de Mili, que nos anos 1940 retratou Picasso com traços de luz no ar. A ideia ganhou forma após contatos com a museóloga do Omero e a participação de Stefania na visita tátil. A sessão ocorreu após o fechamento do museu, em ambiente totalmente escuro.

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