A exposição Overshare de Sophie Calle chega ao Orange County Museum of Art (OCMA) como a primeira grande retrospectiva da artista na América do Norte. A mostra reúne obras de cinco décadas, do início dos anos 1970 aos dias atuais, em fotografia, texto, filme e instalação. O projeto foi organizado pelo Walker Art Center, de Minneapolis, e idealizado pela curadora Henriette Huldisch.
AOCMA traz a curadoria de Courtenay Finn, diretora de programas do museu, que descreve Calle como alguém que transforma experiências de vida em obras que circulam entre o público e o privado. A exposição inclui trabalhos que exploram a fronteira entre documentação e invenção, destacando a relação entre observar, narrar e expor.
Estrutura e obras centrais
Overshare está dividida em quatro setores: Spy, Protagonist, End e Beginning, para enfatizar o envolvimento intenso de Calle com a experiência vivida. A primeira seção reúne projetos baseados em regras de relacionamento inventadas, questionando vigilância e autoria, como Suite Vénitienne (1980/86) e The Hotel (1981).
A mostra também destaca obras autobiográficas, em especial a série Autobiographies (1988-presente), formadas por dípticos de fotos com textos curtos. Em Bad Breath (1994), Calle narra uma experiência com diagnóstico médico que revela a relação com o pai e a psicanálise.
Contexto e recepção
Autora mineira de 72 anos, Calle utiliza texto e imagem para revelar e ocultar ao mesmo tempo, prática anterior à era das redes sociais. A curadoria ressalta como a exposição aborda desejos de ser visto e medo de ser mal interpretado, além do equilíbrio entre divulgação e controle.
A mostra, que permanece em cartaz no OCMA até 24 de maio, marca a primeira grande retrospectiva norte-americana da artista e reflete a investigação da relação entre vida privada e performance pública. A curadoria destaca a pertinência de Calle na relação entre público e privado, documentado e performado.
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