Rodolpho Parigi inaugura nesta terça-feira, na Galeria Nara Roesler, em São Paulo, a exposição Choices. A mostra revisita décadas do seu trabalho e da história da arte, num movimento que pode sinalizar uma despedida temporária do Brasil, já que o artista se muda para Nova York para uma residência.
Parigi reúne obras inéditas que, segundo ele, condensam seus últimos 20 anos. Em entrevista ao Brazil Journal, ele explica que reciclar não é repetir, e sim reinterpretar, desmontar e reorganizar. A proposta remete ao surrealismo e ao dadaísmo, ao deformar imagens da história.
As imagens escolhidas pela mostra carregam o peso de épocas de exaltação de poder, violência e costumes rígidos. O trabalho do artista atua como contraponto a uma sociedade imersa em imagens rápidas, oferecendo um espaço para reflexão lenta em pintura e desenho.
O traço de Parigi e a fusão de referências
Em seu ateliê, o processo se intensifica com foco em gesto e volumetria. Elementos como látex, vinil e couro polido aparecem como objetos fetichistas que reconfiguram o corpo em formatos escultóricos. O resultado é uma pintura com teatralidade.
A exposição também reforça a relação do artista com a história da arte. Rubens, Brecheret, Maria Martins e Tarsila aparecem na síntese de um visual que evolui para cenas oníricas e movimentos de acúmulo e transformação.
Parigi busca ampliar a visão do público sobre a pintura, combinando referências clássicas com elementos contemporâneos. A paleta mistura cores ácidas, vibrantes e escuras, com uma técnica cada vez mais refinada.
A curadoria enfatiza a dimensão de devir presente na obra do artista. Em suas palavras, tudo está em mudança constante, sem permanecer fixo. Choices fica em cartaz na Galeria Nara Roesler até 9 de maio.
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