Mouhamed Harfouch leva ao palco um solo autobiográfico que transforma memórias pessoais e a herança familiar em matéria-prima para o teatro. O espetáculo Meu Remédio aborda identidade e pertencimento a partir da própria história do ator sírio-português.
A peça já passou por Juiz de Fora, teve longa temporada no Rio de Janeiro e conquistou o público em São Paulo. Chegou ao último fim de semana da temporada no Teatro Santos Augusta, encerrando mais um ciclo de apresentações.
Sob a direção de João Fonseca, o show coleciona reconhecimentos: venceu o Prêmio FITA na categoria Melhor Dramaturgia e recebeu indicações para Melhor Direção e Melhor Ator, além do Prêmio Arcanjo de Cultura na categoria Teatro Solo.
Escrita, produzida e estrelada por Harfouch, a montagem revisita origens familiares, a herança síria do pai e a ascendência portuguesa da mãe. O objetivo é evidenciar caminhos de aceitação da própria identidade com humor, memória e emoção.
O público acompanha um monólogo ágil, marcado por uma presença cênica que transforma cada episódio em confidência compartilhada. O ritmo fluido aproxima o ator da plateia, como diante de um amigo.
O uso do violão, que começa de forma inesperada, se harmoniza à narrativa e acerta o tom emocional. Músicas funcionam como extensões do humor e da história, pontuando momentos cômicos sem destoar da trama.
O humor surge das lembranças familiares e do cotidiano, sem se limitar a risos marca-se pela sutileza. A peça também revela a importância de aceitar as próprias diferenças, mantendo a leveza ao tratar de temas sensíveis.
Os recursos cenográficos — fotos, objetos e até alimentos — ajudam a materializar memórias que poderiam ficar apenas na fala. Em certos trechos, Harfouch emociona-se, reforçando a natureza íntima do espetáculo.
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