O projeto reúne Elis Regina pela primeira vez com Paulinho da Costa, em uma faixa restaurada de Corsário. A nova versão chega ao público em 10 de maio, Dia das Mães, com a voz de Elis e uma nova camada instrumental gravada para acompanhar a interpretação histórica.
A gravação remonta a 1976, mas a voz de Elis ganha fôlego em 2026 graças a um trabalho de restauração conduzido por Ricardo Camera. O processo preservou o andamento original e não utilizou afinadores vocais. O objetivo é manter a integridade da leitura da artista.
João Marcello Bôscoli, filho de Elis, atuou como produtor da faixa e descreve a emoção de ver Paulinho da Costa interpretar a música com o acompanhamento de um quarteto. Pedro Mariano supervisionou a linha vocal, em um paralelo ao que ocorreu com Now and Then dos Beatles.
Detalhes do estúdio e da participação
Paulinho da Costa gravou no estúdio Trama NaCena, em São Paulo, em um domingo de manhã, com a percussão formada por bongô, congas, carrilhão, pratos, agogô e cowbell. A gravação ocorreu em um único take, sem necessidade de repetição, segundo Bôscoli.
A faixa Corsário integra um álbum de 10 faixas de Elis, com previsão de lançamento pela Trama em novembro. O single Para Lennon e McCartney já havia sido lançado em plataformas digitais em 2025. A restauração incluiu o mesmo tratamento aplicado a Corsário em outras faixas.
Contexto histórico e controvérsia pública
Corsário foi originalmente registrado para um special de 1976 e participou de outras gravações da época. Em 1984, faixas desse material entraram no projeto Luz das Estrelas, com novos arranjos. A partir de agora, o novo disco busca manter sonoridade anterior aos anos 70, com instrumentos de época.
A remasterização de Elis 73 gerou polêmica: Cesar Camargo Mariano, ex-marido da cantora, criticou a intervenção. A advogada Deborah Sztajnberg afirma que o músico deveria ter sido consultado, e avalia ações legais para suspender o vinil, enquanto as plataformas digitais permanecem com a nova versão.
Perspectivas para o futuro
Bôscoli aponta que a tecnologia pode evoluir para permitir ajustes finos em microdetalhes, restauração de gravações caseiras e mais controle sobre o som. O produtor ressalta que a IA é ferramenta, não substituto, e que a participação humana é essencial no processo de mixagem em tempo real.
O projeto planeja seguir com novas participações previstas de João Bosco e Herbie Hancock, ampliando o conceito da homenagem a Elis. A ideia é manter a coerência estética do conjunto, evitando desequilíbrios entre as faixas.
Observações finais
A equipe envolvida enfatiza que a restauração busca aproximar Elis de ouvinte moderno sem perder a identidade histórica. A produção ressalta que o lançamento não encerra debates sobre IA na música, mas representa um marco de colaboração entre tecnologia e talento humano.
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